O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 16/07/2019

Jovens doentes: a saúde do futuro ou a repetição do passado?

Após a década de 1960, quando houve uma epidemia de Aids em diversos países da América, tecnologias farmacêuticas de combate às DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) passaram a ser desenvolvidas, o que trouxe,para as próximas décadas, a eficiência no tratamento dessas e o massivo uso de preservativos. Entretanto, atualmente, com o desfalque dos índices de mortes por infecções e a obsolescência da educação sexual desde a infância no Brasil, a utilização dos métodos de prevenção se tornou deficitária entre os adolescentes, o que, por consequência, ocasionou o aumento dos índices de contágio.É necessário, portanto, o debate entre Estado e sociedade relativo à saúde sexual das novas gerações, a fim de que os erros existentes sejam sanados.

Sobre esse viés, consolida-se a ideia de Johnny De Carli no que cerne a ser melhor prevenir doenças a remediar, visto que, o avanço da medicina terapêutica propicia o pensamento aos jovens de que, caso contraiam uma DST, terão acesso a tratamentos baratos e de qualidade, o que faz com que, estes, negligenciem o uso de preservativos e se contaminem. Além disso, as gerações pós década de 1980 não presenciaram muitas mortes por ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), fato que traz a ideia de elas serem “doenças do passado” e que, portanto, não necessitam de prevenção.

Convém ressaltar, também, o pensamento de Paulo Freire no que diz respeito à educação que o país precisa ser a que liberta pela conscientização,  baseado na conjuntura de que o Estado, ao ser defasado no fornecimento de ensino sobre sexualidade nas escolas públicas, devido a má gestão dos recursos educacionais, deixa de informar os jovens sobre a importância da utilização dos métodos de prevenção contra DSTs.Assim, aqueles que dependem do ensino oferecido pelo governo são as vítimas recorrentes de contágio.

Diante disso, fica evidente o descompasso entre Estado e sociedade no combate ao aumento das ISTs entre as novas gerações. Cabe, respectivamente, portanto, ao Ministério da Saúde a divulgação de campanhas publicitárias na internet e nos meios de transporte públicos, que ressaltem os últimos índices de contágio e a importância do uso de preservativos para a saúde pública; e ao Ministério da Educação a abertura de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade com o objetivo de realocar os recursos entre as escolas públicas e, assim, garantir o direito de acesso de todos à educação sexual de qualidade. Com isso, o Brasil se tornará, a cada dia, um país com pessoas saudáveis e conscientes.