O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 13/07/2019

O filme norte-americano “Kids”, relata a história dos adolescentes Telly e Casper, os quais vivem em Nova York e, constantemente, optam em ter relações sexuais sem o uso de preservativos. Nesse sentido, a narrativa foca na rotina conturbada dos garotos e expõe os principais males que eles contraíram nesse período, tais como: o vírus HIV, sífilis e gonorreia. Fora da ficção, esse cenário de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) também está presente no cotidiano de jovens brasileiros e tornou-se um problema social, visto que – seja pela desinformação popular, ora pela ineficiência estatal – compromete o bem-estar dos cidadãos e consolida impactos na saúde pública.

Em princípio, cabe analisar a desinformação social sob a visão do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Analogamente, o atual âmbito juvenil – o qual boa parte dos familiares não promovem diálogos sobre sexualidade e instituições pedagógicas não comentam acerca desse assunto – corrobora no atraso de informações sobre as DSTs e permite que os jovens negligenciem os meios de prevenção. Por consequência, cada vez mais adolescentes tendem a acreditar que as doenças sexuais são ilusórias, o que amplia a desvalorização dos métodos contraceptivos e compromete a qualidade de vida popular.

Ademais, além da falta de informações, o papel estatal ineficiente também corrobora na problemática e convém ser contestado sob a perspectiva do filósofo inglês John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Desse maneira, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucas políticas coletivas para prevenção das DSTs, as quais, frequentemente, são efetuadas apenas em períodos festivos do ano e não conseguem atingir o público-alvo de forma eficiente. Logo, observa-se a disseminação de infecções sexuais pelo Brasil e a criação de efeitos negativos no sistema de saúde, como a superlotação em serviços hospitalares.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, as escolas, com apoio do Ministério da Saúde, devem difundir esse assunto de maneira intensiva, de modo a usar vídeos e documentários do cotidiano, em aulas especiais de Biologia, que possam ensinar ao público juvenil os riscos das doenças sexuais e a importância do uso de preservativos. Dessa forma, será possível garantir a informação dessa temática aos adolescentes e impedir o aumento das DSTs pelo país. Além disso, o governo, com auxílio da mídia digital, deve ampliar as campanhas de prevenção com postagens nas redes sociais, a fim de assegurar, ao longo de todo o ano, informações sobre recursos contraceptivos e inibir relações sexuais inseguras entre os jovens, assim como as cometidas por Telly e Casper no filme “Kids”.