O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 11/07/2019

“Alguma coisa aconteceu comigo. Alguma coisa tão estranha que ainda não aprendi o jeito de falar claramente sobre ela.”, frase de Caio Fernando Abreu, escritor contemporâneo brasileiro que relatou sobre a experiência de ter AIDS nos anos 80. Nessa época, as Doenças Sexualmente Transmissíveis, como a AIDS, eram vistas como “sentenças de morte” o que gerava grande receio seguido de precaução da população. No entanto, o cenário atual diverge do vivido pelo o autor, visto a ocorrência do aumento de jovens com DST no Brasil devido a falsa ilusão vigente a respeito da desimportância do sexo seguro e da permanência da educação sexual como tabu no país.

Nesse sentido, é válido ressaltar que a visão da juventude de que o preservativo tornou-se obsoleto está diretamente ligada ao crescimento dos índices de DSTs. Pois, em dados divulgados pela Secretaria Nacional de Saúde, nos últimos cinco anos foram registrados 29 mil novos casos de alguma DST, destacando-se entre jovens entre 20 e 29 anos e, concomitante a essa pesquisa, foi publicado pelo Ministério da Saúde que 6 em cada 10 adolescentes não usaram camisinha em alguma relação sexual no último ano. Dessa forma, a persistente ausência de um conhecimento claro a respeito da gravidade e consequências das DSTs gera a a perturbante irresponsabilidade por parte dos jovens em relação a sua proteção e que tem tornado o Brasil um país epidêmico em doenças advindas do sexo.       Ademais, é também fator causal da problemática: o desfalque do currículo comum em relação ao preparo dos adolescentes para a vida sexual de forma segura. Sendo o Brasil um país majoritariamente católico, as tradições são defendidas e perpetuadas, porém esse contexto nem sempre é benéfico quando em oposição à necessidade da quebras de tabus para o bem-estar coletivo. Nesse impasse enquadra-se a instalação da disciplina de educação sexual nas escolas, a qual traria o conhecimento necessário para que o adolescente tome decisões conscientes e seguras nas práticas sexuais. Assim, é imprescindível a quebra de paradigmas nas discussões sobre sexo para o progresso na saúde juvenil.        Posto isso, o aumento de DSTs entre jovens brasileiros urge solução e, portanto, cabe ao Ministério da Saúde a reformulação do currículo nacional comum por meio da inclusão da disciplina de Educação Sexual para capacitar os adolescentes à prática do sexo seguro. Além disso, são necessárias palestras, que envolvam pais e alunos, ministradas por profissionais da saúde com uma abordagem efetiva que desmitifiquem as DSTs nos dias de hoje a fim de tornarem os jovens cientes das DSTs e seus respectivos riscos à saúde. Por fim, é função do Governo Federal direcionar verba para o Secretariado da Propaganda Nacional no intuito de criar e ampliar as campanhas de prevenção sexual através de mídias sociais para assim tornar a população como um todo ativa na valorização da vida dos jovens.