O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 06/07/2019
A Constituição Federal de 1988 assegura a isonomia social, educacional e no âmbito da saúde pública. Contudo, o descaso estatal quanto a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e a falta de conteúdos voltados para os jovens no sistema de ensino, deslegitimam o documento promulgado. Assim, é necessário que medidas sejam exercidas para amenizar a ocorrência de DSTs na parcela juvenil do Brasil.
Mormente, é indubitável que o surgimento de contraceptivos, na metade do século XX, possibilitou uma autonomia feminina e liberdade sexual de ambos os gêneros. Entretanto, excluir o risco e gravidez propiciou o abandono do uso de preservativos, banalizando a contaminação de doenças sexuais, o que ainda é notado nos dias atuais. Juntamente a isso, a escassez de informações, destinadas aos jovens, referentes as DSTs contribui na constância de infecções nessa faixa etária. Dessa forma, um jovem carente de orientação e mediocrizando doenças sexuais está suscetível a contaminação e transmissão.
Ademais, é notório o papel do sistema de saúde pública no tratamento de doenças transmitidas sexualmente, engajado após a elevação de casos nas décadas de 1980 e 1990. Todavia, sua atuação profilática é deficitária e restrita ao mês do Carnaval, evidenciando a imutabilidade do comportamento estatal frente as novas demandas da saúde pública. Dessa forma, o Estado se limita a tratar a doença e não erradicá-la, dificultando a diminuição dos casos e a sustentação de um pleno desenvolvimento social. Essa atitude é contrária ao discurso do filósofo John Locke, que responsabiliza o Estado de assegurar o bem estar da sociedade.
Destarte, como primeira medida interventora, é imperioso que o Ministério da Educação, em parceria com as secretárias de saúde, realizem eventos mensais nas escolas, contendo palestras, apresentações de trabalhos e filmes, com o objetivo de familiarizar os jovens com as doenças e suas consequências. Outrossim, deve-se inserir no conteúdo programático de todas as disciplinas discursos acerca de sexo e sexualidade, descontruindo mitos tabus. Logo, o exercício da cidadania e a erradicação de doenças banalizadas deixarão de ser uma utopia no país.