O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 05/07/2019
“Depois daquela viagem”, escrito por Valéria Piassa Polizzi, narra a vida de uma adolescente que contraiu o vírus HIV e a forma como convive com a doença. A obra aborda um assunto recorrente no cenário brasileiro: o alargamento dos casos de doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens. Tal fato é reflexo não só da ineficiência das facetas governamentais como também das dificuldades quanto à educação sexual que, de forma banalizada, provocam prejuízos irreparáveis à vida dos indivíduos.
Em primeira instância, percebe-se que a falta de informação adequada ocasiona entraves no processo de prevenção às DSTs. É evidente a ausência do Estado no que diz respeito à promoção de campanhas que visam a conscientização dos jovens sobre os riscos das doenças e as maneiras de se prevenir. Ademais, em pleno século XXI, conversas educacionais sobre vida sexual ainda representam um tabu na sociedade brasileira, o desconforto em debater sobre o assunto, principalmente no ambiente familiar, em que muitos pais se restringem desse tipo de orientação na tentativa de resguardar seus filhos, faz com que muitos jovens cresçam inconscientes e sem medo das consequências. Esses fatores catalizam o aumento de casos que, só em São Paulo, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a ocorrência de Sífilis cresceu mais de 603% entre os jovens nos últimos seis anos.
Tal panorama pode causar efeitos individuais e coletivos para a sociedade. Isso porquê, além de sintomas físicos, neurológicos e reprodutivos comuns das DSTs como a Aids e HPV, algumas doenças podem provocar a dependência do sistema público de saúde por um longo período de tempo, contribuindo para a superlotação dos hospitais que, por si só já sofrem por falta de recursos. Dessa forma, percebe-se que o Artigo 196 da Constituição Federal em que diz que a saúde é um direito de todos e dever do Estado encontra-se amplamente desrespeitado, uma vez que, além de não garantir a prevenção, também não fornecem um tratamento eficaz. Outrossim, essa situação contraria diretamente a teoria do filósofo Rousseau em que a esfera pública precisa fomentar o bem estar da população, tendo em vista a inércia perante a promoção de campanhas conscientizadoras.
Diante do exposto, é evidente que uma das maiores causas do aumento das doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens brasileiros é a falta de diálogo. Na tentativa de conter esse crescimento, é necessário que o Ministério da Saúde efetive a conscientização dos adolescentes, mediante o uso das redes sociais e de linguagens próprias como forma de diminuir a banalização e orientá-los sobre os riscos e meios de proteção. Além disso, é importante que as ONGs, em parceria com as escolas, desconstruam os tabus vividos pela sociedade, por meio de palestras voltadas para os pais, no intuito de incentivá-los a dialogar cada vez mais com os adolescentes à respeito da educação sexual.