O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 23/06/2019

A nova “onda” das DST’s

Uma grave epidemia assolou a Europa, ao longo dos séculos XV e XVI, e vitimou milhares de pessoas. Mais tarde, no final do século XX, uma nova epidemia abalou o mundo com várias vítimas. Sífilis e HIV são doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) que causaram a morte de milhões, inclusive de famosos como o poeta Charles Baudelaire e o cantor Freddie Mercury. Ainda hoje, com o avanço em seu tratamento e prevenção, o Brasil enfrenta verdadeiras epidemias dessas infecções, sobretudo entre jovens, o que representa um grave problema a ser enfrentado. Dentre suas causas estão a banalização dessas enfermidades e a desinformação acerca de sexo e sexualidade.

O Brasil atuou como pioneiro ao oferecer o tratamento de pessoas com HIV na rede de saúde pública e, assim, conquistou excelentes resultados. Contudo, criou-se no imaginário dos jovens uma percepção de que a Aids, e outras DST’s, não assustam mais. Consequentemente, essa banalização resulta em uma situação de negligência na prevenção à tais moléstias, como mostra a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar de 2015, do IBGE, em que cerca de 30% dos adolescentes entre 13 e 17 anos afirmaram não ter usado preservativo na última relação sexual. O descuido com a própria saúde é preocupante, haja visto que se tratam de doenças sérias, por vezes crônicas, com tratamentos penosos e podem ocasionar a morte, além de, a longo prazo, sobrecarregarem a saúde pública.

De outra parte, é alarmante o tamanho desconhecimento dessa faixa etária sobre sexo e saúde. O tema é tratado como um tabu pela maioria das famílias, por conservadorismo e questões religiosas, pois acreditam que falar sobre o assunto com crianças e adolescentes os incentivariam a iniciar a vida sexual precocemente. Entretanto, a falta de abertura para diálogo os leva a começar a se relacionar sem considerar cuidados básicos, como no livro Depois daquela viagem, em que a personagem contrai HIV em sua primeira relação sexual. Portanto, os jovens não reconhecem sua vulnerabilidade perante patologias delicadas decorrentes do sexo desprotegido. Além disso, o estigma faz com que a população sinta medo até mesmo de se testar para DST’s, impossibilitando diagnóstico e tratamento precoces.

É necessário redirecionar os esforços para solucionar a problemática das DST’s no Brasil. Disseminar conhecimento e trabalhar para aumentar a percepção ao risco é crucial. Cabe ao Ministério da Saúde elaborar campanhas midiáticas para alertar sobre o aumento da contaminação, a necessidade de proteção e a importância do diagnóstico, principalmente entre os mais jovens. Elas devem ser veiculadas em redes sociais e aplicativos de encontros, utilizar personalidades conhecidas desse público e uma linguagem mais familiar, assim, vão facilitar o acesso às medidas disponíveis.