O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 17/06/2019

Pílula anticoncepcional, preservativo, dispositivo intra-uterino. Diversas são as formas para a prevenção da gravidez indesejada. Entretanto, não é só a gravidez que é indesejada durante o ato sexual, mas também as doenças sexualmente transmissíveis - DST´s. Infelizmente, este conceito ainda não é entendido de forma clara entre os jovens, visto que, o Brasil registra o aumento significativo de DST´s na população juvenil.  Por isso, torna-se necessário entender as causas desse problema para corrigi-la.

Em primeiro lugar, é importante compreender que a desinformação sobre a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis  - IST´s - está entre as causas do problema. Um motivo disso é que a educação sexual no Brasil ainda é considerada tabu. Recentemente, o tema de educação sexual entrou em pauta no Congresso Nacional e logo foi engavetado pela conservadora bancada evangélica. Dessa forma, evita-se falar sobre sexo, sexualidade e prevenção, nas instituições escolares e no núcleo familiar. Por conseguinte, o jovem consolida os seus conhecimentos sobre o tema, por meio da internet e conversas com amigos que, muitas vezes, podem não serem legítimas e conter diversos preconceitos.

Em segundo lugar,  é possível perceber que o esforço do Estado em prevenir as IST´s  pode fazer com que os jovens se arrisquem mais. Esse paradoxo acontece devido a banalização na utilização dos métodos de prevenção, uma vez que a população juvenil sente-se segura em relação ao Governo que garante a medicalização das infecções.  Esse pensamento vai ao encontro do conceito de “Banalidade do Mal” da filósofa Hanna Arendt que diz que as pessoas vulgarizam uma situação porque se tornou habitual, ou seja, porque todos fazem.  Todavia,  esses jovens esquecem-se , ou até mesmo, desconhecem os efeitos colaterais dos medicamentos para realizar o tratamento, colocando em risco a sua própria saúde. Deste modo, as propagandas sobre os avanços na condução da terapêutica das  IST´s podem ter interpretações errôneas e trivializar um assunto tão complexo.

Fica evidente, portanto,  que o aumento das IST´s  entre os jovens brasileiros está relacionado à desinformação e à banalização sobre o tema. Por isso, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas midiáticas com o foco no público jovem - utilizando a linguagem própria desse grupo - em canais de comunicação operados por eles como: Facebook, Instagram e Twitter, explicando explicitamente sobre os malefícios de se adquirir uma IST, mesmo que ela seja tratável,  para garantir  a efetividade do programa é indispensável que seus ídolos sejam os anunciadores dessa campanha. Dessa forma, garantir-se-á o democratização da informação e, consequentemente, a redução das DSTs