O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 17/06/2019
As doenças ou infecções sexualmente transmissíveis, também conhecidas por DST ou IST, são doenças infecciosas que se transmitem essencialmente, mas não exclusivamente, pelo contato sexual. Apesar do avanço nos tratamentos contra tais enfermidades, sobretudo a partir da década de 1990, com a produção de preservativos cada vez mais sofisticados e atendimento médico gratuito na rede pública, o crescimento contínuo de casos de ISTs preocupa os profissionais da saúde. Sendo assim, a banalização dos males relacionados à essas doenças e a falta de educação sexual são algumas das causas relacionadas a este quadro.
Inicialmente, é necessário destacar que o sucesso dos tratamentos e queda dos casos de DSTs mais comuns, paradoxalmente, fez com que os jovens se preocupassem menos com o uso do preservativo durante as relações sexuais. Movidos substancialmente pelo medo, a geração de jovens dos anos 90 buscou adquirir os cuidados e profilaxias necessárias para evitar o contato com uma possível DST. Uma das razões foi o destaque recebido pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – SIDA ou AIDS –, causada pela infecção do vírus HIV, após vários ídolos musicais padecerem das complicações relacionadas à doença, como Renato Russo, Cazuza e Freddie Mercury, durante os anos 80 e 90. Entretanto, a presente geração não vê a doença com o mesmo temor e frequentemente se expõem ao perigo dos seus males. Tal fato se confirma com os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, que apontam para um perfil de jovens de 15 a 29 anos infectados pelo vírus HIV, percussor da AIDS.
Ademais, outra razão para tais descuidos está no tabu social, que impede o diálogo aberto sobre o assunto dentro das escolas e no ambiente familiar. Nesse sentido, a falta de orientação sexual durante uma fase em que ocorrem mudanças consideráveis no corpo do jovem, os deixam à própria sorte. Destarte, segundo a obra “Amor Líquido” do sociólogo Zygmut Bauman, as relações interpessoais têm se tornado mais frágeis e incertas. Analogamente, o público jovem vive em um tempo de relacionamentos momentâneos, o que somado à falta de informação à sua disposição, acerca dos cuidados necessários para evitar uma possível enfermidade, facilita o quadro atual .
Convém, portanto, medidas para reverter tal situação. Inicialmente, cabe ao Ministério da Saúde ampliar as campanhas de prevenção voltadas para o público jovem, utilizando canais de comunicação comuns nesse grupo, como o YouTube, a fim de alertar sobre a necessidade de cuidados com a saúde durante a vida sexual. Além disso, cabe às ONG’s ligadas às questões sexuais incentivar o diálogo entre a família e educadores com esses jovens, a partir do aconselhamento psicológico, a fim de promover a desconstrução dos mitos que cercam a sexualidade.