O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 01/06/2019

O livro “Claro dos Anjos”, de Lima Barreto, ficou marcado pelo seu viés de retratar a desinformação sobre os malefícios de doenças sexualmente transmissíveis, no qual seu personagem principal Clara, e seu companheiro Cassi, iniciam relações sexuais sem proteção, omitindo riscos existentes. De modo semelhante á obra, o Brasil enfrenta dificuldades em combater os altos índices de doenças sexualmente transmissíveis na adolescência. Nesse sentido, faz-se urgente alteração desse cenário, em que a omissão das escolas e ausência de debates no núcleo familiar são fatores preponderantes para essa questão.

Em primeiro lugar, vale destacar as consequências da ausência das instituições de ensino no corpo social. De acordo com o filósofo John Locke, em sua “Teoria da Tábula Rasa”, retrata que os indivíduos são preenchidos por experiências positivas e negativas que afetam todo seu desenvolvimento. A partir dessa visão, decorrente da omissão das escolas sobre doenças sexuais na puberdade, inúmeros adolescentes acabam iniciando uma vida sexual ainda precoce, sem informações sobre prevenção e riscos dessa imaturidade, o qual a ineficácia desses colégios corrobora para proliferação de doenças como AIDS. Como consequência dessa inexistência de diálogos das instituições de ensino, esses jovens se tornam reféns a desinformação devido a abstenção desses colégios em abordar a temática. Ocasionando, assim, o desencadeamento de problemas sexuais e psicológicos, ao afetar diretamente o desenvolvimento sexual e social do indivíduo.

Além disso, a ausência de debates no núcleo familiar contribui para essa problemática. De acordo com o jornal O Globo, em 2018 foram registrados cerca de 300.000 casos de doenças sexuais na juventude, sendo que, muitas vezes, esses jovens tentam se comunicar com a família para ajuda, mas são banalizados em virtude da temática ser considerada “tabu” a inúmeros pais. Tendo como consequência dessa falta de atenção familiar, corrobora para que esses indivíduos recorram á internet em busca de respostas a suas dúvidas omitidas pelos pais. Ao retratar ,assim, um esquecimento social, no qual esses jovens e o tópico sobre doenças sexuais são invisíveis aos olhos do corpo social.

Nesse sentido, portanto, faz-se necessária a adoção de medidas a fim de minimizar esse problema. O Ministério da Educação, promover em toda sua rede de ensino palestras mensais ministradas por sexólogos, com o objetivo de condicionar professores e funcionários, para alertar e informar sobre riscos e consequências de doenças sexuais. Outra articulação possível seria o Ministério da Educação, implementar, rodas de conversas semanais, entre pais e filhos, com o intuito de estimular o diálogo entre ambos . Para que, assim, a visão da obra “Clara dos Anjos” seja desconstruída.