O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 29/05/2019

No filme “Filadélfia”,o protagonista Andrew Beckett é um advogado promissor que ao ser afligido pela AIDS é exposto a uma conjuntura de discriminação pela doença e,consequentemente,demitido pela diretoria do seu trabalho.Diante dessa situação,contrata os serviços de outro advogado para buscar seus direitos e processar seu empregadores.O longa,embora seja ficcional,não se afasta do atual contexto brasileiro,pois,assim como na obra,a banalização das DSTs,doenças sexualmente transmissíveis,corrobora para o aumento de certas doenças entre jovens brasileiros e trazem danos tanto para o adoecido como para os serviços públicos de saúde.

Em primeira instância,evidencia-se que o “Fato social”,descrito pelo sociólogo Émile Durkheim,constitui toda forma de agir,pensar e sentir que define o comportamento dos indivíduos de uma socidade.Sob esse mesmo viés,nota-se que os jovens hoje,parcialmente,têm mais medo da gravidez indesejada do que a contaminação por algumas doenças.Paradoxalmente,o sucesso das políticas de prevenção e tratamento às DSTs e ISTs resultaram na mediocrização dos males e na redução do uso de preservativos,os quais tornaram-se uma ação comum entre eles.Prova disso,é o estudo da Secretaria de Saúde que registrou 29 mil novos casos de alguma DST entre jovens de 20 e 29 anos.

Por conseguinte,presencia-se um forte poder coercitivo nas pessoas infectadas,haja vista os preconceitos,problemas neurológicos,reprodutivos,sexuais e sociais aos quais são subjugadas.Assim,desde o surgimento dessa epidemia chamada pelos jornais da época em 1982 como “peste gay”,tal marca enraizada acompanha todo processo de ruptura dos laços afetivos desse coletivo,cujo feito resulta em uma morte social que precede a morte física.Portanto,há uma maior pressão sobre os serviços públicos de saúde devido ao sucateamento que impossibilita uma assistência de qualidade à população que se vêem totalmente dependentes do tratamento público ao longo do tempo.

Destarte,é necessário de imediato que medidas públicas trabalhem para mitigar essa mazela social.Nesse sentido,é fundamental que o Ministério da Saúde invista em campanhas midiáticas mais voltadas para esse público em específico,por meio de linguagens próprias,canais de comunicação em alta como as redes sociais,além da inserção de formadores de opinião ligado ao meio jovem,tais como os ídolos,afim de que haja uma orientação mais próxima da realidade deles.Só assim,consoante aos ideais de Durkheim,tornaremos o ato de prevenir uma atitude habitual dessa parcela.