O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 19/07/2019
Em 1530, o autor Italiano Girolamo Fracastoro criou a personagem Syphilis, um pastor grego que desperta a ira divina e é castigado com pústulas pelo corpo. Anos depois, o nome do protagonista batizou uma doença bacteriana, que aliada a outras Doenças sexualmente transmissíveis(DSTs), como a gonorreia, a AIDS e a clamídia, acometem milhões de pessoas pelo mundo. No Brasil, o aumento de DSTs entre a parcela mais jovem da população preocupa especialistas, que apontam a desinformação e a falta de medo como possíveis responsáveis por tal feito.
A série “Sex Education”, um dos mais novos virais da Netflix, aborda com um viés cômico tabus que dificilmente são discutidos abertamente, como sexo, masturbação e machismo. O sucesso da série, principalmente entre os jovens, leva a uma importante conclusão: o público jovem se interessa e quer saber mais sobre sua sexualidade, o que falta é uma abordagem efetiva. A desinformação entre os jovens é evidente, e muitas vezes deriva muitas vezes da falta de diálogos em casa e da falha nos programas de educação sexual nas escolas. Tais fatos se convertem em números, quando analisamos que 21,6% dos jovens brasileiros acham que existe cura para a AIDS ou que 43,4% não se protegeu durante o sexo causal, segundo o Pcap.
No século XX, diversos artistas como Freddy Mercury e Cazuza, assumiram publicamente serem portadores da Aids, que marcou uma geração inteira devido à alta mortalidade e medo que casou. Atualmente, entretanto, tais doenças foram banalizadas entre os adolescentes, que não sentem temor ao ouvir nomes como “clamídia”, “papiloma vírus” ou “sífilis”, e acabam abrindo mão de se proteger. Segundo dados do Pcap, 19,5% dos jovens fez sexo com mais de cinco pessoas no último ano e 74,8% afirmaram nunca terem feito o teste de HIV na vida, ou seja, muitas vezes eles estão infectados e transmitem a doença sem saber, o que agrava ainda mais a situação.
Torna-se evidente que o aumento no número de DSTs entre os jovens é preocupante e medidas devem ser tomadas a respeito de tal assunto. Cabe ao as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais, incentivar programas de educação sexual nas escolas, com enfoque nas Dsts, por meio de aulas expositivas, palestras e debates abertos sobre o tema, de forma a envolver não só os alunos, como toda a comunidade, principalmente as famílias, para que o assunto não seja discutido somente em sala de aula, como também em casa.