O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 31/05/2019
A contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, DSTs, entre os jovens tem apresentado aumentos significativos nos últimos anos. De acordo com a plataforma virtual Correio Braziliense, o número de atendimentos hospitalares por essa causa subiu para aproximadamente cinquenta mil no período de 2012 a 2016 no Brasil. Em tais casos, cerca de 76% das vítimas foram infectadas por doenças que não há cura, dentre essas a Aids. Assim, evidencia-se a necessidade de promover uma análise crítica acerca das causas e consequências para uma possível solução da problemática.
A princípio, é importante ressaltar os fatores que contribuíram para a dispersão de enfermidades transmitidas pelo sexo entre jovens e adultos. Zygmunt Bauman, importante filósofo contemporâneo, diz: “na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”. Tal assertiva assemelha-se à facilidade em obter informações na internet para uma possível prevenção contra as DSTs. No entanto, a ausência de pesquisas sobre educação sexual e seu ensino obrigatório na grade escolar fortalece o tabu existente no âmbito educacional cuja ideia é impedir discussões sobre sexo para evitar a sua prática entre os alunos. Prova disso, mais de 20% das pessoas acreditam na existência da cura para a Aids e, por isso, não usam preservativos, segundo pesquisa feita pelo site Uol, a qual mostra como a falta de informação sobre o uso da camisinha afeta a saúde do indivíduo e das futuras gerações.
Ademais, vale destacar os efeitos das doenças sexualmente transmissíveis. Segundo Freud, neurologista renomado e criador da psicanálise, as pessoas tendem a seguir ordens determinadas por um grupo para se sentirem aceitas e pertencentes a ele. Nessa lógica, grande parte dos cidadãos não realizam testes clínicos para a constatação da Aids, pois sofrem extremo preconceito que isola-os socialmente, contribuindo, assim, para a morte de inúmeros jovens e o não desenvolvimento de pesquisas para tratamentos contra infecções sexuais. Nesse sentido, como dito por Bauman, os brasileiros estão vivendo o fim do futuro; algo grave tendo em vista o ferimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo é garantir a vida, a saúde e a igualdade no país.
Depreende-se, portanto, que a ignorância sobre doenças sexualmente transmissíveis e o preconceito para com os portadores de Aids atingem negativamente a sociedade. O Ministério da Educação, órgão público que garante o acesso à educação, deve tornar a matéria Educação Sexual obrigatória nas escolas e investir na capacitação de docentes para abordarem de modo interdisciplinar o tema entre os alunos, com o objetivo de não somente fragmentar estereótipos e preconceitos, mas também prevenir a propagação de tais doenças por meio da informação pelos jovens. Enfim, a partir dessas ações, como dito por Martin Luther King: “toda hora é hora de fazer o que é certo”.