O aumento de DSTs entre jovens brasileiros

Enviada em 21/05/2019

Combate às DSTs

Sífilis, gonorreia, AIDS. Parece terrorismo psicológico mas essas são apenas algumas das doenças que vêm aumentando de forma alarmante entre os jovens no Brasil. Ao longo dos séculos, a medicina foi capaz de criar tratamentos efetivos para muitas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), no entanto, a maioria delas ainda não possui cura, apenas tratamento. Com efeito, esse panorama de desconstrução da saúde juvenil, fruto do sucesso no tratamento de algumas DSTs e, também, do tabu ainda existente acerca delas, mostra-se um desafio a ser superado com urgência.

Em primeira instância, sob a ótica social, o sucesso no tratamento especialmente da AIDS fomenta a sensação de que conviver com uma DST não é mais tão difícil,  haja vista que as medicações tornaram as vidas dos jovens infectados menos complicadas. Além disso, o Ministério da Saúde divulgou que apenas em 2018, 40 mil novos casos de DSTs surgiram no Brasil, o que mostra a importância do debate acerca dessa problemática. Vale ressaltar, também, que a gênese dessa realidade possui estreita relação com as práticas sociais dos brasileiros, os quais tendem a não usar preservativos por desconhecimento ou descuido e não se previnem de maneira adequada.

Em um segundo plano, o tabu ainda existente acerca das DSTs motiva a manutenção do desconhecimento das mesmas, haja vista serem patologias pouco discutidas nas escolas e nos lares. Ademais, essa conjuntura materializa com nitidez a concepção de “Banalidade do Mal”, refletida pela filósofa Hannah Arendt, cuja base teórica buscava compreender como grande parcela da sociedade enxergava atitudes e fatos negativos como naturais. Com isso, tal reflexão reaviva a problemática enfrentada atualmente, na qual os jovens banalizam o mal causado por doenças venéreas e se descuidam, tornando-se alvos fáceis para serem infectados.

Portanto, o sucesso no tratamento de DSTs e o tabu acerca das mesmas são desafios à saúde nacional. Visto isso, a fim de garantir acentuada melhora nesse triste panorama, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio do redirecionamento de verbas, incluir a disciplina de Educação Sexual na grade curricular do ensino médio. Adicionalmente, o MEC deve realizar palestras abertas nas escolas com o intuito de conscientizar - não apenas o público jovem mas toda a população - acerca da gravidade dessas patologias. Dessa, maneira, construir-se-á uma sociedade mais consciente e a reflexão de Hannah Arendt não mais será uma realidade tangível no contexto nacional.