O aumento de DSTs entre jovens brasileiros
Enviada em 29/08/2019
A obra literária “Depois Daquela Viagem”, da escritora Valéria Polizzi, é retratada a primeira experiência sexual da autora, na qual se infecciona com o vírus do HIV e se torna alvo de diversos estigmas sociais ao longo de sua vida. A temática da obra é amplamente refletida no cotidiano brasileiro, em que os casos de doenças sexuais se tornam cada vez mais repercutidos na população jovem, um cenário decorrente de um cultura precoce de sexualização e uma falta de informação.
Primeiramente, é válido destacar uma espetacularização da sexualização do jovem na sociedade moderna. Na atual era da pós-verdade, em que as informações repassadas apresentam maior validade em decorrência da sua repercussão ao invés de sua veracidade, o ato de pensar, enquanto exercício instantâneo e inconsciente, é supervalorizado em detrimento do ato de refletir, como atividade mais questionadora e condicionada. Isto posto, é notado uma “hipersexualização” do público jovem, em que o enorme contingente de conteúdos expostos nos meios digitais e midiáticos estimula uma conotação sexual, que proporciona uma ostentação do sexo, potencializando uma cultura de necessidade natural de iniciação sexual que aliena o jovem em relação aos conhecimentos básicos acerca das consequências desses hábitos. Dessa forma, o status social adquirido pelo sexo influencia o desejo precoce de uma vida sexual ativa.
Em segundo lugar, a irrelevância dos jovens diante desse panorama é um fator imprescindível para entendê-lo. Segundo o filósofo Sócrates, os erros são uma consequência da ignorância do indivíduo. Dessa forma, mesmo com o aumento do número de campanhas que incentivem o uso de preservativos, o público jovem não manifesta temor dessas possíveis infecções, visto que, sendo um tabu social, as discussões existentes são descontínuas e restritas, o que impossibilita a elaboração e a internalização individual do conhecimento sobre o assunto, impedindo o desenvolvimento de um jovem cônscio acerca dos efeitos e circunspecções de uma rotina sexual. Destarte, a preferência social da negligência acerca da temática impede a construção de um juventude informada e precavida.
Portanto, é inegável a existência de uma tendência social que corrobora o aumento de doenças sexualmente transmissíveis na sociedade jovem. É necessário que as Organizações Não Governamentais(ONG’s), em parceria com o poder midiático, promova uma visibilidade de indivíduos diagnosticados com doenças sexualmente transmissíveis, por intermédio da elaboração de propagandas e anúncios que valorizem a precaução dos jovens ao possibilitar o relato de experiências de pessoas sexualmente infectadas, com o fito de conscientizar a juventude sobre a relevância métodos contraceptivos e os impactos negativos da sua aversão.