O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/04/2018

O homem de lata, um dos personagens do clássico infantil “O mágico de Oz”, tinha o grande sonho de  possuir um coração de verdade para que pudesse voltar a ter sentimentos. No entanto, ao sair da ficção e refletir sobre a real sociedade brasileira, percebe-se que as pessoas, ao contrário do homem de lata, estão preferindo fugir das suas emoções. É nesse contexto de isolamento e fuga que a depressão ganha espaço na vida dos jovens. Discutir sobre os fatores sociais que contribuem para o aumento dessa patologia torna-se, portanto, um desafio necessário.

Numa era de globalização, na qual as redes sociais passam a definir o homem, as regras e padrões se tornam mais rígidos e fica cada vez mais difícil fazer/ser o que a sociedade quer, aumentando os casos de depressão. Tal ideia pode ser justificada pelo fato de que o tipo de vida idealizado nas redes sociais, que na maioria das vezes não condiz com a realidade, pode provocar um vazio existencial nas pessoas que não têm o mesmo estilo. No virtual, todos são felizes, bonitos e cheios de oportunidades. Dessa forma, os jovens que não se veem inseridos nesse “falso padrão”, imaginam que a existência não faz sentido e acabam entrando em depressão. Prova disso é o pensamento do filósofo Bauman: “A invisibilidade, na sociedade pós moderna, equivale a morte”.

Outrossim, o desconhecimento da depressão como uma doença também é um fator que contribui para o seu crescimento. Isso porque existe pouca informação disponibilizada sobre o tema, visto que a  mídia e as instituições educacionais se comportam de maneira passiva, não se preocupando em desmistificar a depressão, o que contribui para que ela continue sendo um “tabu social”. Assim, a população fica alienada, sem saber como agir diante dos casos de depressão, o que ajuda a perpetuar o preconceito e o falso estigma de que só depende do depressivo sair desse quadro, quando na verdade, a depressão deve ser encarada como qualquer outra patologia, sendo necessária a ajuda profissional. Sem informação, tanto a sociedade quanto os jovens depressivos negligenciam a doença, fazendo com que ela cresça ainda mais. Para exemplificar esse cenário aponta-se a pesquisa feita pela OMS, a qual revela que o Brasil é o país mais depressivo da América Latina.

Nota-se, portanto, que é preciso tomar uma atitude para que os casos de depressão diminuam. Logo, a mídia pode investir em campanhas de conscientização, como a do Setembro Amarelo para o suicídio, a fim de alertar e prevenir quanto a depressão. As escolas devem proporcionar debates, com profissionais de saúde, para os alunos e suas famílias, sobre a importância do acompanhamento médico nos casos de depressão, como forma de despertar a sociedade para a gravidade do problema e destruir preconceitos. Assim, o homem vai deixar o coração de lata para vencer suas angústias.