O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 13/03/2018

No fim do século XIX, o sociólogo francês Émile Durkheim propunha que o mundo moderno era um mundo em anomia, no qual as dimensões sociais estariam tão instáveis que as pessoas começariam a sentir um mal-estar. Mais de um século depois, o que se percebe no Brasil é a elevada instabilidade social e emocional, principalmente entre os jovens. Tal fenômeno está relacionado ao avanço do capitalismo aliado a questões como pressão social e/ou familiar, má alimentação, sedentarismo e falta de tempo para si mesmo. Importante salientar que tais fatores agem como catalisadores que aceleram o desenvolvimento de transtornos psicológicos que podem se agravar e desencadear doenças como a depressão.

Para entender a origem do problema é preciso considerar o fato de que desde o nascimento os indivíduos são sobrecarregados de responsabilidades para se ajustarem a uma sociedade movida pela lógica do capital. No caso dos jovens, muitos não conseguem suportar sozinhos e, ao temerem que essa impotência seja interpretada como fraqueza, se culpabilizam e desenvolvem problemas psicossomáticos que podem levar a vítima a tentar retirar a própria vida.

Permeados nesse contexto, é válido ressaltar que distúrbios psicológicos ainda são considerados tabu. Assim, enquanto os males físicos recebem a compreensão  da sociedade, aqueles ligados ao estado psicológico e emocional são frequentemente estigmatizados, o que dificulta a abordagem e combate de tal problemática no país. Além disso, a abordagem do assunto pela mídia, a exemplo dos inúmeros filmes e seriados que banalizam e glamorizam o problema, não contribui para que a depressão seja levada a sério. Como resultado, muitos indivíduos optam por omitir os problemas para não se exporem ao julgamento alheio.

Dado o exposto, fica claro que a depressão entre os jovens brasileiros é um assunto velado e que precisa ser debatido. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, em parceria com estagiários do curso de Psicologia, deve promover palestras e debates acerca da doença,  que serão realizados em praças públicas, de modo a desconstruir estereótipos com relação ao distúrbio e às vítimas. Aliado a isso, as escolas, subsidiadas pelo Ministério da Educação, devem elaborar cartilhas educativas sobre a temática, que serão distribuídas no próprio ambiente escolar, de forma que os alunos aprendam a reconhecer os sintomas, buscar apoio e respeitar as vítimas.