O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 12/03/2018
No livro “Utopia” de Thomas Morus, é retratada uma sociedade bastante coesa e sem problemas sociais. Entretanto, a realidade tange tal perspectiva literária, pois a depressão, doença psicológica, aumenta gradativamente entre os jovens no Brasil, prejudicando a coesão social. Essa problemática é decorrente de dois fatores: o individualismo e a pressão social, os quais devem ser discutidos, gerando soluções para amortizá-los.
Mormente, cabe pontuar que o individualismo presente nas relações sociais hodiernas é um dos principais responsáveis pelo aumento da depressão entre os jovens. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo vive tempos líquidos, marcados pela fluidez dos relacionamentos interpessoais. Sob tal ótica, a sociedade civil, em função da interferência da globalização, apresenta um perfil individualista, distanciando-se das preocupações coletivas, como a felicidade e a saúde mental alheias. Dessa forma, a falta de intimidade e de empatia entre as pessoas sintetiza um sentimento de solidão, o qual é ampliado pelos conflitos existenciais da puberdade. Em detrimento disso, os casos de depressão crescem entre os adolescentes, ocasionando transtornos psíquicos, como a bipolaridade, e suicídios.
Outrossim, a pressão social acerca do sucesso econômico fomenta a ocorrência de depressão na adolescência. De acordo com a tese Marxista, Materialismo Histórico, a economia vigente molda o comportamento humano. Nesse sentido, hodiernamente, as instituições sociais, baseadas na ideologia do capitalismo selvagem, influenciam o surgimento da frustração nas pessoas. Isso ocorre, pois indivíduos, que não alcançam um status econômico e social aclamado pela sociedade, são desvalorizados. Por esse motivo, quando essas “diretrizes”, a exemplo a entrada na universidade pelos adolescentes, não são obtidas, instaura-se um sentimento de impotência e inferioridade nos jovens brasileiros. Consequentemente, há o aparecimento da depressão, interferindo no desenvolvimento pessoal deles.
Evidencia-se, portanto, que a depressão é pertinente entre os jovens no Brasil, necessitando-se a reversão de tal situação. Por isso, cabe ao Ministério da Educação criar projetos educacionais, a fim de estimular a existência de empatia, intimidade e solidariedade nas relações interpessoais. Dessa forma, palestras, debates e panfletagens voltados para pais e alunos devem ser realizados nas escolas. Também, o Ministérios da Saúde deve dar suporte ao tratamento de depressão de jovens, oferecendo acompanhamento médico e remédios pelos SUS. Além disso, a mídia, por meio de propagandas, precisa desmistificar os padrões sociais e econômicos valorizados pela sociedade. Desse modo, a depressão poderá ser extinguida do Brasil, melhorando a coesão social.