O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 01/11/2017
A depressão e os Jovens
“Agente pode estar sozinha mesmo quando é amada por muitas pessoas” disse Anne Frank, vítima da perseguição nazista, em seu diário publicado postumamente. É possível refletir com essa declaração que o sentimento de solidão é algo de foro íntimo e muitas vezes independe de quem está ao redor, justamente por isso , tem sido um desafio a detecção e combate à depressão crescente entre os jovens brasileiros. Nesse sentido, convém discutirmos aspectos históricos e culturais desta problemática.
Se a peste bubônica acometeu uma grande parte da população mundial e dizimou boa parte da população européia no século XIV, a depressão tem se mostrado com um potencial semelhante. São inúmeros os casos dessa doença atendidos pelos consultórios médicos, em especial os jovens. O comportamento constantemente irritadiço, triste ou atormentado afetando as relações desses jovens nos grupos sociais a que pertencem, exprimem sinais dessa enfermidade. O isolamento e a vulnerabilidade apresentada por esse público, pode culminar em suicídio.
Entretanto, a inabilidade da juventude desse século em lidar com as situações de frustrações, masclada pela constante exposição ao mundo virtual natural da modernidade líquida tão bem definida pelo sociólogo Bauman, se expressam como traços culturais que contribuem para o desenvolvimento da depressão em indivíduos com predisposição. Além disso, a supervalorização do “ter” em detrimento do “ser” ativa um padrão de comportamento desenfreado pelo consumo, determinando muitas vezes o status social do indivíduo. Dessa forma, é possível gerar ansiedade e competitividade excessivas favorecendo um ciclo vicioso de frustração.
Há, portanto, a necessidade de intervenção urgente do Estado, por meio do Ministério da Saúde em parceria com o MEC, com o desenvolvimento de cartilhas informativas e palestras à serem disponibilizadas nas escolas públicas e privadas para alunos e seus pais, a fim de orientar a sociedade, além de disponibilizar equipes de saúde, em especial psicólogos, que vizitem essas escolas periodicamente e as famílias desses alunos, com o objetivo de detectar e tratar precocemente a depressão, a exemplo da França que já possui esse serviço em casos de suicídios juvenis. Ademais, a mídia por meio de campanhas publicitárias e abordagem do assunto em novelas e seriados possam tornar esse assunto não mais um tabú. Assim, se sentir sozinha mesmo quando amada, conforme declarou Anne Frank pode até continuar acontecendo, mas não faltarão “ombros amigos” nesse momento.