O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/11/2017

Em 1932, Alberto Santos Dumond o inventor do 14-bis, isolado e mergulhado em profunda tristeza, comete suicídio ao perceber que seus dirigíveis eram usados em bombardeios. Porém, na atualidade, infelizmente, esse derradeiro sentimento parece se instalar em milhares de vidas. Seja pelas frágeis relações humanas, bem como a banalização de transtornos mentais, a depressão reacende debates no coletivo, principalmente entre os jovens na contemporaneidade.

Em primeiro lugar, antes de tudo, cabe destacar a negligência afetiva humana para com a problemática. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, presencia-se uma triste época da artificialidade, da liquidez das relações interpessoais. A falta de empatia pelo outro, o individualismo em detrimento o coletivo e o imediatismo imposto pelo mundo capitalista, fazem com que o indivíduo, em especial da era digital, priorize relações afetivas volúveis e momentâneas, eis aí a solidão. Dessa maneira,  jovens cada vez mais isolados aliado à ausência familiar na vida desses, cultivam a angústia que pode caracterizar na doença. Sendo assim, embora conectados com milhares em rede, sentem-se em grande verdade sozinhos e por isso deprimidos.

Por outro lado, a mediocrização da depressão é recorrente em sociedade e tolhe a temática. De acordo com a teórica alemã Hannah Arendt, ao analisar o julgamento de um dos organizadores do holocausto, concluiu que o mal é algo que todos nós somos capazes. Ou seja, a sua propagação massiva sem questionamentos de valor. De maneira análoga, a banalização da depressão configura isso, uma vez que vinculada em páginas humorística e em piadas camuflam a real importância da doença, dificultando assim o diálogo e tratamento da mesma.

Mediante os fatos supracitados, fica claro portanto a premência da discussão entre a população canarinha. Por isso, é importante que a escola em parceria com o Ministério da Saúde, a execução de palestras e instruções acerca do assunto, assim como a inserção de profissionais como psicopedagogos a fim de detectar supostas tendências depressivas entre os alunos. Cabe ao Ministério da Educação em conjunto com o mídia, a divulgação de campanhas sobre doenças mentais para informatização dos cidadãos com o propósito de mudar esse comportamento de banalização e torná-los mais empáticos com a causa. Ademais, convém a família não só o apoio e acolhimento dos jovens depressivos, mas também a participação efetiva na vida desses para facilitar o tratamento e recuperação do mesmo. Para finalmente, consoantes tais medidas, a luta ser vencida e os indivíduos devidamente assistidos.