O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/10/2017
A geração ultrarromântica possuía um comportamento autodestrutivo e tedioso e por isso, romantizava a depressão e o suicídio. Na contemporaneidade, a depressão tem aumentado significativamente, em especial entre os jovens, deixando-os incapazes de entender e construir a própria existência. É imprescindível, então, procurar entender e minimizar as causas da depressão, essa histórica doença global.
Em primeiro plano, a cobrança exagerada pelo sucesso é um fator impulsionador da depressão. No século XIX, para os eu-líricos da 2º geração romântica o amor não correspondido justificava o comportamento depressivo e o desejo de morte. Hodiernamente, a busca de uma vaga na universidade, sucesso profissional e a estabilidade financeira em um país como o Brasil, que não oferece muitas oportunidades à sua juventude, faz com que os jovens sintam-se incapazes de realizar tais anseios. Destarte, a depressão, considerada pela OMS como a doença do século XXI, mostra-se próxima não somente do fazer poético, mas também da juventude.
De outro lado, a negligência por parte da sociedade sobre a depressão e o estigma de considerá-la uma pseudo-doença são fatores que potencializam seus efeitos. Cabe analisar que de maneira análoga as rochas sedimentares, a depressão se consolida lentamente em diminutos constituintes de um todo. Nesse sentido, é necessário considerar os mecanismos biológicos e sociais que desencadeiam a depressão para não culpabilizar o jovem, frustado pela pressão social, de possuir tal patologia. Todavia, enquanto esse estigma de pseudo-doença se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com uma das consequências mais nefastas da depressão: o suicídio.
Urge, portanto, medidas que minimizem as causas do aumento da depressão entre os jovens brasileiros. Cabe ao Ministério da Educação a formação de professores para um ensino mais humano e menos produtivista e, também, a ampliação de bibliotecas e laboratórios nas escolas para que os jovens tenham formação de qualidade e as mesmas oportunidades nessa sociedade competitiva. Desse modo, a cobrança exagerada pelo sucesso, promovida pelo estilo de vida contemporâneo, não levará a classe juvenil à depressão. Somado a isso, a fim de mitigar a classificação da depressão como pseudo-doença, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia televisiva, deve divulgar nos comerciais campanhas elucidativas sobre essa doença.