O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2017
No século XIX, jovens poetas brasileiros inauguraram o Ultrarromantismo, que é uma fase literária marcada pelo pessimismo e desgosto pela vida, desse modo, os versos de um poema ultrarromântico podem chegar a denotar o sentimento depressivo vivenciado por esses jovens. Entretanto, hodiernamente o aumento da depressão entre a população jovem do Brasil vai além de um movimento literário e embora tenha feito várias vítimas, ainda não é um tema debatido amplamente e por isso pode acarretar em sérias consequências, até chegar ao suicídio.
Nesse contexto, a sociedade tenta reprimir o assunto por achar que falando sobre ele pode incentivar a proliferação da doença, mas ao contrário do que é difundido pelo senso comum, a ciência da psicologia acredita na cura das emoções quando expomos elas, assim, não debater sobre a depressão, cria um ambiente sem apoio e consequentemente o aumento da mesma. Além disso, a falta de diálogo é consequência do individualismo, uma característica do nosso mundo moderno, por isso o sociólogo Zygmunt Bauman fala em seu livro, Modernidade líquida, sobre como o individualismo afeta as relações sociais, tornando-as mais voláteis e efêmeras, dessa maneira, a falta de solidez no convívio social faz com que os indivíduos tornem-se mais deprimidos.
Ademais, embora haja campanhas de conscientização como o Outubro Amarelo, o Governo Federal e nem o Ministério da Saúde não reconhecem esta doença psicológica como um problema de saúde pública, por isso não há muitos tratamentos oferecidos pelo o Sistema Único de Saúde e nem um apoio psicológico gratuito para que diagnósticos sejam feitos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país mais deprimido da América Latina e esse dado está diretamente ligado com o contexto social, pois a medida que aumenta-se os índices de violência, do desemprego e de crises políticas, a população, e principalmente, os jovens como na época no Ultrarromantismo tornam-se pessimistas por não terem expectativa de vida, com isso ficam deprimidos e podem até mesmo optar pelo suicídio, se a depressão não chegar a ser trata.
Urge, portanto, a necessidade da população desfazer paradigmas sobre esta doença e tentar trazer soluções para diminuir o número de jovens com depressão, pois assim como dizia Nelson Mandela “quando se há um problema, há que enfrentá-lo e não disfarçá-lo.” Nesse sentido, faz-se necessário que o Ministério da Saúde crie unidades básicas de atendimento gratuito à pessoa depressiva, fazendo um estudo que comprove as áreas onde há maior índice de depressão e colocando este programa em postos de saúde já existentes, principalmente, nas comunidades carentes, para que haja um amplo atendimento e divulgação sobre como a doença se manifesta e seus principais riscos.