O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 26/10/2017

A depressão, como consequência de uma complexa interação de fatores biopsicossociais, tem afetado significativamente a sociedade contemporânea. Considerada o mal do século, a depressão não difere suas vítimas, atingindo países desenvolvidos e em desenvolvimento, homens e mulheres, crianças, adolescentes e adultos. Nesse cenário, percebe-se a relevância de se entender as raízes dessa complicação e quais seriam os principais meios para combater essa enfermidade.

Primeiramente, é relevante pontuar que a prática do consumismo é um fator determinante para essa problemática. Isso se deve a crescente quantidade de informações que são veiculadas nos meios de comunicação, os quais tentam disseminar o consumo e rotular padrões na sociedade. De acordo com Arthur Schopenhauer, o ser humano é essencialmente vontade, que o levaria a desejar sempre mais, produzindo uma insatisfação constante. Nessa perspetiva, o indivíduo se vê diante da perda de limites no que diz respeito a obtenção de objetos que dão satisfação e o fato de não tê-los gera dor e sofrimento. Como consequência, temos notado um aumento da depressão entre os jovens nos últimos anos, o que levou o Brasil ao patamar de terceiro país mais deprimido do mundo.

Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada pelo preconceito. Atualmente, vemos que, assim como ocorria na antiguidade, pessoas com distúrbios mentais são marginalizados. Nesse sentido, observa-se uma falta de empatia da sociedade atual, a qual entende a depressão como um estado de incapacidade, o que denota sentimento de segregação e perpetuação de esteriótipos. Isso ocorre porque as escolas hipertrofiam a grade de conteúdos tecnicistas em detrimento de eixos humanistas que poderiam discutir sobre a doença. Sendo assim, nos raros momentos em que o tema é levado para debate, observa-se que ele é abordado de forma superficial e de uma maneira que gera desinteresse dos alunos, contribuindo para o desconhecimento  e dificultando a quebra do preconceito.

Medidas devem ser tomadas, portanto, para resolver o impasse. Para isso, a CONAR deve intensificar a regulação das propagandas na mídia, para isso deve-se abrir um canal de comunicação por meio de aplicativos, para que o público possa enviar conteúdos que julguem ser abusivos no sentido de incentivar o consumismo, a fim de evitar a promoção de esteriótipos. Ademais, o Ministério da Educação deve promover palestras, ministradas por psicólogos, a fim de trazer maiores informações para pais e estudantes a respeito da depressão, abordando formas de identificar e como proceder com aqueles que possuem a doença.