O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/10/2017
O Ultrarromantismo caracteriza-se pelo sofrimento e pessimismo vivenciados e descritos pelos poetas em suas obras. Tal situação, entretanto, não se limitou ao século XIX. Segundo a Associação Brasileira de Psicanálise, cerca de 10% dos brasileiros cuja idade está entre 12 e 18 anos possuem depressão. Nesse contexto, deve-se analisar o modo como as mídias sociais e o desconhecimento da população a cerca dessa doença contribuem para o aumento de sua ocorrência no público jovem.
Primordialmente, há uma tendência midiática na difusão de padrões - seja em relação à estética corporal e até mesmo ao consumo de bens. Nesse sentido, os adolescentes, por representarem a parcela demográfica que mais acessa a internet no Brasil de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, tornam-se principais alvos desse processo. Todavia, parte desses jovens divergem de determinados valores e características socialmente encarados como “ideais”, a exemplo da magreza. Assim, podem tornar-se indivíduos insatisfeitos quanto a própria realidade, o que os favorece o isolamento social e o consequente desenvolvimento do transtorno depressivo.
Essa, contudo, não é a única questão a se analisar. Apesar de recorrente no Brasil - país com maior percentual de doentes segundo a Organização Mundial da Saúde- a depressão ainda não é encarada como doença por parcelas da sociedade. Tal cenário decorre do desconhecimento das pessoas quanto a existência dessa enfermidade, sendo erroneamente comparada a estados de humor. Por conseguinte, a banalização dessa doença dificulta seu diagnóstica e tratamento. Sob a ótica do psiquiatra Augusto Cury, o autocídio não visa a findar a vida, mas sim a dor. Nessa perspectiva, os jovens portadores da depressão, ao não serem assistidos por profissionais da área médica, podem recorrer ao suicídio como maneira de pôr fim aos seus problemas- motivo pelo qual em Abril de 2017 dezenas de adolescentes aderiram ao jogo Baleia Azul, cujo objetivo final é o autocídio.
Infere-se, portanto, que o transtorno depressivo motivado por questões socioculturais não pode mais aumentar entre a população jovem no Brasil. Para tal, é necessário que o Ministério da Saúde junto ao Centro de Valorização da Vida promova propagandas televisivas e cartilhas educativas as quais transmitam à população os sintomas e as formas de tratamento dessa doença, a fim de que os enfermos busquem tratamento e alcancem melhorias emocionais e psicológicas e que a sociedade não negligencie a ocorrência da depressão. Ademais, cabe à mídia, por meio de ficções engajadas e de campanhas nas redes sociais, estimular a não padronização social e a auto-aceitação, visando ao combate de estereótipos físicos e comportamentais “superiores”. Desse modo, a depressão poderá gradualmente não estar presente na juventude brasileira.