O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/10/2017

Tratada no passado como histeria, confundida como expressão da preguiça, acusada de “falta de motivação”, a depressão, que atualmente é reconhecida cientificamente como doença crônica, se mostra cada vez mais frequente entre os jovens brasileiros. Dentre uma série de problemas individuais e coletivos que se expressam nessa epidemia, se destaca como o desdobramento dessa doença pode desencadear transtornos mais graves que afetam o convívio e experiência partilhada em sociedade.

Em primeiro lugar, o indivíduo que sofre com essa patologia não consegue desempenhar bem suas atividades básicas, por isso mais de 15% da população mundial tem sua jornada laboral prejudicada, enquanto que as crianças apresentam resultados negativos em questões pedagógicas. Nesse sentido, Michael Ende foi muito feliz ao retratar em “A História Sem Fim” a depressão da protagonista Bastian como algo que afeta sua rotina de convívio social e desinteresse pela aprendizagem.

Ademais a esse efeito colateral, em muitos casos a gravidade da situação é diminuída  pelos que convivem com o doente como uma questão psicológica menor de um jovem leitor esquisito de Dostoiévski que se deixou influenciar pelo seu niilismo e desencanto com o mundo, ou seja, o enfermo é responsabilizado pela sua própria doença.

Por certo, combater a depressão é luta constante de uma sociedade que se pretende humanamente desenvolvida. Para tal é preciso que campanhas publicitárias promovidas pelo Ministério da Saúde informem a população de que depressão é uma doença que precisa de tratamento médico e acompanhamento psicológico. A sociedade deve atuar não apenas respeitando quem sofre com o novo mal do século, mas principalmente ajudando-o a se reconhecer como doente. Assim como Bastian encontrou sua superação no livro, os jovens podem encontrar estímulos e um escapismo para seus problemas nas artes, sendo assim, é fundamental que os professores estimulem a criatividade, imaginação e o bom convívio, mostrando arte de forma lúdica e inclusiva.