O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/10/2017

Depressão não é sinônimo de tristeza, é uma patologia que atinge os mediadores bioquímicos responsáveis pelos estímulos nervosos. Assim, há no indivíduo um comprometimento dos neurotransmissores que permitem o bom funcionamento do seu cérebro, desencadeando uma combinação de sintomas que interferem em todas as áreas de sua vida. Logo, é válido refletir sobre o aumento da enfermidade entre os jovens no Brasil e consequentemente, o lastimável aumento  dos casos de suicídio.

É válido pontuar, inicialmente, que depressão não tem idade. A saber, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui cerca de 11,8 milhões de pessoas depressivas. Porém, pesquisadores e médicos afirmam um crescimento da doença entre adolescentes e jovens, resultado de uma negligência estatal, de um desconhecimento por parte dos pais e da população em geral que confundem os sintomas - tristeza permanente, revolta e o isolamento - como algo natural da própria fase.

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida evidenciada atualmente é outro fator preponderante. Afinal, a celeridade das relações interpessoais, o desejo de alcançar rapidamente objetivos e a pressão social para entrar na faculdade, ter um bom emprego, casar, além de fatores como o bullying na escola e agressões familiares, tornam-se os motivos para o ápice da patologia que é o suicídio, prática que configura a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 e 29 anos no país.

À luz dessas considerações, é possível inferir que desde a obra alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe, até os questionamentos sobre o “Jogo da Baleia Azul” e a série “13 Reasons Why”, essa epidemia silenciosa revela uma questão de saúde pública que não pode ser mais adiada. Dessa forma, a OMS, junto às escolas e ONGs engajadas, devem treinar profissionais da educação e da saúde para identificar tendências depressivas. Além disso, os pais devem propiciar um amparo e uma via de comunicação sadia com seus filhos, já o governo e a mídia podem atuar com campanhas de valorização à vida e o incentivo à procura de auxílio.