O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/10/2017

A depressão é cada vez mais recorrente entre a juventude brasileira. Diferentemente de outras fases da vida do indivíduo onde o estado depressivo se mostra mais claro, o problema quando ocorre na adolescência pode ser mascarado ou confundido com os comportamentos comuns e próprios das mudanças hormonais dessa faixa etária. É desafio dos órgãos de saúde pública e da sociedade desmistificar a doença, prevenir, tratar e acolher os jovens acometidos pelo mal do século.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tristeza profunda atinge meninos e meninas com idades entre 10 e 19 anos e, com efeito, é a maior causa de incapacitação. Tal enfermidade é resultado de uma combinação de fatores sociais, psicológicos e genéticos e tem como características a piora no rendimento escolar, a apatia, a irritabilidade, o isolamento e, o posterior consumo de álcool e entorpecentes. Em casos de maior gravidade é possível verificar a prática da automutilação e, até mesmo, do suicídio.

Certamente que na juvenilidade, em especial na adolescência, o desenvolvimento fisiológico, social e escolar estão a pleno vapor. Há de se considerar que tal etapa trás consigo muitas descobertas, mas por outro lado advém as angústias, as dúvidas, as cobranças familiares por bons desempenhos e, as pressões inerentes do próprio jovem na ânsia de se encaixar nos padrões de beleza e de comportamento estabelecidos na atualidade.

Vale salientar também a perda do bom senso dos pais ou responsáveis na educação familiar, pois crianças que crescem sem limites ou mesmo com limites não muito bem definidos e que não aprendem a lidar em casa com o “não”, ao chegarem na adolescência possuem a falsa sensação de que podem tudo, não se adaptam as dificuldades impostas pelo mundo fora do lar e se tornam mais suscetíveis a desenvolver um quadro depressivo.

Afim de modificar essa realidade, o Poder Público Estadual, através das Secretarias de Saúde, deve formar equipes multidisciplinares com assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras nas Unidades de Saúde Básica próximas as escolas para que os jovens tenham fácil acesso a esses profissionais. Ao âmbito escolar fica a competência na promoção de debates entre corpo docente, alunos e comunidade para esclarecer sobre a temática, orientar e preparar os jovens nessa transição para a vida adulta. À família fica a responsabilidade de observar, desde a mais tenra infância dos seus filhos, o comportamento e os hábitos dos mesmos bem como, oferecer diálogo, apoio e amor  para, dessa forma, afastar os pré-julgamentos errôneos que prejudicam o diagnóstico de um problema tão grave.