O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/10/2017
O mal do século
Escrito na época do Romantismo, o livro Os sofrimentos do jovem Wether centra-se na vida de um jovem que comete suicídio devido a um amor não consumado. Essa obra foi apontada como inspiração a uma série de suicídios e casos de depressão ocorridos em jovens de toda a Europa. Apesar do lapso temporal e espacial, a temática do livro interliga-se à atual realidade, na qual casos de depressão continuam a acometer, principalmente, os jovens.Nesse contexto, cabe analisar os motivadores do aumento do número de depressão entre os jovens no Brasil, bem como seus efeitos à sociedade.
Primeiramente, é válido destacar que o indivíduo sofre coercividade do meio, a qual influencia na sua formação pessoal. Isso pode ser exemplificado segundo a visão de Fato Social, de Durkheim, que relata a força com que os padrões culturais se impõem na vida do indivíduo, obrigando-o a seguir os padrões já estabelecidos. Dessa forma, a pressão social se estabelece entre os integrantes de uma sociedade, principalmente, entre jovens, na espera de que sejam capazes de exercerem papéis sociais de maneira eficiente na esfera pessoal, profissional e estudantil. Logo, quando o sujeito não atinge tais expectativas, desenvolvem quadros de ansiedade e depressão, mostrando, assim, o poder do meio sobre o indivíduo, corroborando com a ideia de Rousseau: “O homem é produto do meio em que vive.”
Convém pontuar, ainda, que a ausência de informações sobre a depressão é fator preponderante ao aumento dos casos no Brasil. Isso porque, muitas vezes, a doença que se estabelece em jovens não é descoberta em razão dos seus sintomas - tristeza, angústia e ansiedade - serem vistos como algo intrínseco a fase adolescente. Assim, o desconhecimento dos mecanismos biológicos e sociais que desencadeiam a depressão, bem como dos seus sintomas leva a negligência de tratamento e cuidados, causando o aumento dos índices da doença. Prova disso são os dados da Unifesp que relatam a ocorrência de sintomas indicativos de depressão em 21% dos jovens, entre 14 e 25 anos, no Brasil.
Fica claro, portanto, que melhorias a essa problemática devem ser estabelecidas. Urge que o Ministério da Educação promova palestras, em escolas públicas e privadas, proferidas por psicólogos, que debatam a pluralidade individual, além do direito pessoal de escolha do jovem acima da coercividade do meio, a fim de desmistificar a necessidade do alcance do padrão individual imposto na sociedade. Paralelamente a isso, a Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a rádio e jornal local, devem desenvolver campanhas que informem os tratamentos e os sintomas da depressão, com o objetivo de tornar acessível o conhecimento da doença à população. Afinal, o profundo subjetivismo, pessimismo e melancolia da época ultrarromântica não pode caracterizar a sociedade atual.