O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2017

Segundo o pensamento de Aristóteles o homem é um ser social, dessa maneira não existe isoladamente e é sempre parte de um todo. Sob esse espectro, o isolamento social - um dos primeiros sintomas da depressão - reafirma a importância do diagnóstico e tratamento dessa patologia. O aumento do transtorno depressivo entre os jovens tem se apresentado como um reflexo da falta de acompanhamento familiar e de meios como a internet, que propiciam a troca de conteúdo desmoralizador. Diante disso, são passíveis de discussão os fatos apresentados.

Mormente, ao avaliar a temática da depressão no público jovem nota-se que a falta de diálogo para com as crianças e adolescentes por parte das famílias, dificulta a identificação do transtorno. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio foi a segunda maior causa de morte entre os jovens na faixa etária de 15 a 29 anos no ano de 2015. À vista disso, é interessante ressaltar a necessidade da identificação precoce do transtorno para evitar casos de suicídio. A carência de diálogo regular entre pais e filhos obstaculiza o reconhecimento da depressão nos estágios iniciais, ao passo que muitos pais confundem a doença com uma mudança hormonal própria da idade. Ademais, a banalização da depressão pela sociedade dificulta o debate e restringe o reconhecimento do seu valor.     Outrossim, o forte contato do público jovem com o meio virtual também corrobora para a problemática, haja vista o aumento do cyberbullying. Diante do exposto, o indivíduo que já se encontra vulnerável emocionalmente tende a ser mais atingido por ofensas e situações constrangedoras - que inclusive tem início em ambientes, como o escolar - as quais podem desencadear quadros depressivos. Por outro lado, a cobrança exercida pela sociedade, que dita paradigmas, impõe ao jovem dilemas interpessoais, seja pela escolha de uma profissão, seja pela não adequação à um padrão estético, constantemente disseminados pela mídia. Sob essa linha de pensamento, o jovem pressionado acaba sendo levado a uma situação depressiva e de desinteresse nas suas atividades.

Logo, medidas são necessárias. Para isso é imperioso que os núcleos familiares estabeleçam com os jovens uma relação mais próxima, voltada ao diálogo corriqueiro, visando melhorar a identificação da depressão. Somado a isso, as escolas devem promover palestras e debates voltados principalmente aos responsáveis e estudantes, estabelecendo um paralelo sobre a importância do combate ao bullying na atenuação dos índices de depressão e a necessidade da parceria mútua entre escola e família na identificação de possíveis casos da doença. Por fim, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o MEC criar políticas que implantem a visita periódica de um psicólogo às escolas, com o fito de facilitar o acesso a esse profissional aos alunos com maior propensão ao desenvolvimento depressivo.