O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2017

Na obra “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Johann Goethe, o protagonista se apaixona por Charlotte, e comete suicídio quando é impedido de ficar com sua amada. Essa trama, embora romantizada, retrata uma situação crescente no Brasil: o sentimento de angústia e abandono pelo qual muitos adolescentes passam. Nesse contexto, é imprescindível discutir as causas dessa epidemia, a qual persiste por sofrer grande preconceito.

A priori, a incidência e agravamento da depressão na juventude deve-se, principalmente, à própria estrutura social. Segundo o sociólogo Èmile Durkheim, todo suicídio decorre da relação do deprimido com a sociedade. Tal afirmativa dialoga com a negligência sofrida pelos jovens, em virtude de serem cada vez mais cobrados social e mentalmente sem, no entanto, adquirir maturidade ou orientação para superar períodos conturbados, como o fim de um relacionamento ou a reprovação em uma prova importante. Nesse sentido, o amparo de familiares e amigos pode ser decisivo para prevenir danos psicossociais.

Soma-se à vulnerabilidade dos jovens, o desconhecimento que a opinião pública tem sobre o assunto. De acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer, “todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo”, situação na qual a empatia e a alteridade são fenômenos raros. Sob o mesmo ponto de vista, a depressão é alvo de preconceito, pois as doenças mentais, tanto neuroses como psicoses, não apresentam sinais somáticos, tornando-as inconcebíveis para a sociedade em geral. Consequentemente,  existe uma dificuldade em tratar essa enfermidade em adolescentes sem o devido esclarecimento dos pais.

Finalmente, para mitigar essas questões, a escola deve distribuir cartilhas aos pais, as quais contenham padrões cognitivos depressivos identificáveis nos adolescentes, com o objetivo de ajudá-los a tratar a depressão e procurar auxílio profissional. Ademais, o Ministério da Educação deve implementar uma disciplina ministrada por um psicólogo, a qual envolva terapia comportamental, tendo como alvo incentivar os alunos a encontrar prazer em atividades rotineiras e melhorar seus relacionamentos sociais. Outrossim, a mídia televisiva pode contribuir, por meio de séries e novelas engajadas, para que mais pessoas possam dimensionar as características da depressão, assim chegando a compreender e respeitar quem sofre dessa doença.