O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 23/10/2017
A depressão é considerada uma epidemia mundial, segundo dados da OMS. Em meio a essa questão, o Brasil ocupa um dos primeiros lugares no ranking de países com mais pessoas deprimidas. Sabe-se que, em meio ao expressivo aumento de 706% nos casos desse distúrbio, nos últimos 16 anos, abarca, principalmente, os jovens brasileiros. Na cerne desse preocupante dado, encontra-se a mudança nos hábitos da sociedade pós-moderna, que desde muito cedo, compele crianças e jovens à estados psicológicos de risco, levando-os ao desenvolvimento de ansiedade, depressão e até bipolaridade.
Em primeiro plano, vale citar o sociólogo Zygmunt Bauman, quando afirma que vivemos tempos de uma modernidade líquida, devido a inconstância e rapidez em que os processos e relações humanas se efetivam. Sob esse panorama, a geração Z, que cresceu em meio às tecnologias, adaptou-se à instantaneidade na aquisição de informações e relações pessoais, projetando tal velocidade no alcance de seus objetivos. No entanto, nem tudo é possível alçar de maneira instantânea, demandando tempo e paciência, o que grande maioria dos jovens não está disposta a ofertar, criando em muitos casos, enormes expectativas e frustrações, desencadeando quadros de ansiedade e depressão.
De outra parte, a sociedade pós-moderna, munida de valores individualistas, segregacionistas e de excessiva competitividade, exerce intensa pressão social pelo imediatismo nas conquistas dos jovens, impulsionando a ocorrência dos quadros depressivos. Ademais, o desconhecimento e banalização de doenças de cunho psíquico, vigora o estigma de que a depressão é uma tristeza momentânea, fraqueza pessoal, questão da puberdade e até falta de espiritualidade. Com isso, a ideia de que o jovem acometido pela depressão escolheu ficar dessa maneira, é comum, e portanto, acredita-se que independe de ajuda, apenas de uma vontade pessoal. No entanto, a negligência de casos depressivos pode facilitar a ocorrência de comportamentos suicidas nesses jovens, e sem o apoio familiar e social, torna-se difícil identificar tais quadros de depressão.
Urge, portanto, a necessidade de tratar com seriedade casos de depressão nos jovens. Para isso, escolas e pais devem observar os comportamentos dos adolescentes, mantendo o diálogo entre si, e contando com o apoio de psicólogos e psiquiatras no acompanhamento. O Ministério da Saúde deve criar centros especializados no SUS (Sistema Único de Saúde), a fim de facilitar o acesso ao tratamento dessa doença. Ademais, mídias de rádio e televisão, devem abrir espaço para a discussão da depressão entre os jovens, com programas informativos e telenovelas, difundindo a informação com sua devida importância. Por fim, a depressão é uma séria doença que merece cuidados, por isso, tratar essa questão com seriedade, é evitar novos casos, é ajudar, e pode até ser: salvar uma vida.