O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2017

De acordo com Eric Hobsbawn, historiador britânico, a sociedade atual, fundada a partir das revoluções burguesas, introduziu e impôs a padronização do homem, tornando-o um ser social. Nesse sentido, no Brasil, inseridos aspectos hodiernos como solidariedade orgânica e liquidez das relações, muitos indivíduos, num quadro de anomia social, sentem-se excluídos da dinâmica do coletivo, sendo, então, vitimados por quadros depressivos. Assim, com efeito, para resolução desse impasse, faz-se necessário o diálogo entre sociedade civil e Estado para que além do fortalecimento do amparo familiar, sejam combalidos tabus e preconceitos enraizados na cultura brasileira que contribuem para o aumento do número de casos de depressão entre os jovens.

Mormente, a modernidade, ao introduzir a liquidez das relações humanas, enfraqueceu as estruturas de acolhimento social. Conforme o escritor romântico Goethe, em ‘O sofrimento do jovem Werther’, grandes decepções são capazes de levar a quadros depressivos nos quais, muitas vezes, a única saída que a vítima encontra é o suicídio. De maneira análoga, em uma sociedade de relações cada vez mais líquidas e superficiais, o contato familiar é, comumente, encurtado, desse modo, os jovens vitimados por bullying ou algum outro tipo de estresse social, devido ao desamparo, são submetidos ao fardo de interiorizar pressões emocionais que podem resultar em graves situações depressivas.

Outrossim, o reacionarismo do senso comum brasileiro faz com que a problemática da depressão seja estigmatizada e, consequentemente, não discutida. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o terceiro país mais deprimido do mundo. Sob tal ótica, é possível perceber que silenciar tais assuntos numa sociedade de solidariedade orgânica em que os indivíduos são cada vez mais coagidos a serem bem-sucedidos em relação ao poder de consumo e à padronização estética, além de valorizados, principalmente, pelos serviços que podem oferecer, faz com que a depressão seja uma doença gradativamente mais comum. Dessarte, ignorar, por preconceito, o sofrimento de indivíduos que passam por esses problemas emocionais é gatilho para o agravamento dos quadros.

Portanto, visando minimizar o número de casos de depressão entre os jovens, é indispensável que a sociedade civil engajada, em parceria com ONGs dedicadas a essa causa, organizem campanhas permanentes e passeatas em locais públicos para alertar a população sobre os riscos de não se discutir a depressão, veiculando cartazes e ‘hashtags’ nas mídias sociais que estimulem a visibilidade e o cuidado do tema no corpo social. Ademais, cabe ao Ministério das Comunicações e ao Poder Executivo, respectivamente, a veiculação do contato de serviços públicos que amparam a depressão e o abono desses centros para intensificar a eficiência dos mesmos, buscando, assim, mitigar a situação.