O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 23/10/2017
Mais Horácio, menos Álvares
De acordo com Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, constituída por partes que interagem entre si. Entretanto, ao se avaliar a faixa etária juvenil no Brasil, torna-se evidente que esse corpo tem apresentado uma patologia execrável: a depressão. Nesse sentido, faz-se relevante analisar dois fatores: a lenta mudança da mentalidade social e a liquidez das relações humanas.
Mormente, é inconteste que o desconhecimento acerca dos sintomas da depressão esteja entre as causas do problema. Segundo Auguste Comte, o principal mecanismo para que seja possível o progresso de uma sociedade é o conhecimento. De maneira análoga, observa-se que a ideologia do sociólogo positivista é totalmente rompida, haja vista que, embora as pesquisas sobre os sintomas da depressão tenham avançado, a falta de informação no que se refere ao real funcionamento desse transtorno afetivo ainda é uma realidade. Como consequência, ocorre a consolidação de um dos maiores problemas para quem sofre depressão: o preconceito.
Outrossim, destaca-se o isolamento social como impulsionador do aumento da depressão entre os jovens. De acordo com Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, o individualismo é uma das características - e o maior conflito - da pós-modernidade. Seguindo essa linha de pensamento, constata-se que a problemática do aumento de jovens depressivos pode ser encaixada na teoria do sociólogo, uma vez que, se um indivíduo sofre em seu ambiente de socialização - na maioria das vezes a escola - uma contínua exclusão, tende a consolidar uma não-aceitação pessoal, o que desemboca no surgimento da depressão. Assim, evidencia-se a importância da interação no combate ao problema.
Entende-se, portanto, que a problemática tem raízes antropológicas e sociais. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, com o auxílio das redes abertas de televisão, divulgar campanhas informativas sobre os sintomas da depressão, de modo a evidenciar conceitos errôneos sobre essa doença. Também é imperioso que o Ministério da Saúde, em parceria com os postos de saúde locais, elabore um plano de monitoramento psicossocial nas comunidades, com o fito de explicitar ao pais a importância do diálogo com os jovens. Por fim, a escola tem papel nevrálgico nesse processo, sendo mister a criação de plataformas online de interação anônima, mediante ao acompanhamento de um profissional escolar, com o propósito de aumentar a interação entre a faixa etária juvenil e avaliar potenciais depressivos no âmbito escolar. Assim, o pessimismo diante da vida será debelado e, como propôs o poeta Horácio, os jovens aproveitarão, de fato, a vida.