O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/10/2017

Sob a égide literária, no romance epistolar “Os sofrimentos do jovem Wherter”, escrito por Gothe, nota-se que a trama, que inaugurou o romantismo mundial, baseia-se numa evasão da realidade em função do descontentamento com o mundo. Em contrapartida, nos tempos hodiernos, é nítido que as ampliações dos casos de jovens afetados pela depressão, ainda são perpetuadas no Brasil, sendo válido analisar os efeitos dessa problemática.

Seguindo essa visão, é primordial elencar que a padronização e a robotização, impostas pelas leis de mercado, impulsionam a manutenção do problema. Com ênfase, foi desenvolvido, entre os jovens, uma ditadura da felicidade, em que sentimentos humanos como a angústia e a tristeza, são rechaçados, sendo, inclusive, passíveis de medicalização. Tal realidade corrobora com a visão compartilhada de que a depressão é motivo de vergonha e condenação, o que legaliza o assunto como tabu.

Dessa forma, as causas para dada situação encontram-se em fatores histórico-culturais. Nesse contexto, ao analisar-se a significativa pressão social que o sistema capitalista exerce sobre esse grupo, associado ao ideário de um sucesso profissional, não é díficil perceber a sobrecarga que esses sujeitos carregam. Assim, pela falta de mecanismos biológicos, próprios da juventude, de compreender esse cenário de outra forma, são desencadeados quadros de depressão e frustração social, o que demonstra a necessidade de um maior engajamento comunitário à redução dessa realidade.

De maneira análoga, consoante à óptica de Hannah Arendt, renomada filósofa, em “A Banalidade do Mal”, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e comum. Esse pensamento pode ser referenciado à conjuntura da omissão escolar no que concerne à temática em questão, quando aliado à falta de educadores preparados para lidar com o impasse, o que contribui para o aumento dos jovens com tal patologia. Em virtude disso, é evidenciado o desinteresse dessas instituições em tratar a depressão como um problema de saúde pública.

Torna-se evidente, portanto, a adoção de medidas que revertam esse campo. Desse modo, a sociedade civil organizada deve, por meio de debates nas mídias televisivas e nas mídias sociais, repudiar o tabu envolto na patologia depressiva, a fim de criticar a padronização imposta sobre os púberes  pelo sistema e erradicar tal preconceito. Somado a isso, o Ministério da Educação, deve exigir, das escolas negligentes, por meio de premiações àquelas que cumprirem à exigência, a explanação social, através de produções culturais, e o debate acerca desse tema, com profissionais capacitados da área, a fim de contribuir e demonstrar engajamento ao fim dessa realidade. Essas iniciativas são importantes porque reduziria o número de jovens brasileiros com quadros depressivos.