O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/10/2017

Na Idade Média, devido à soberania dos ideais cristãos, as patologias relacionadas à mente foram associadas a elementos sobrenaturais e, nesse contexto, pessoas que possuíam o transtorno da depressão – chamada de Demônio do Meio Dia – eram socialmente rejeitadas. Apesar do vasto conhecimento apreendido acerca das doenças mentais nos séculos posteriores, parte da população, especialmente juvenil, é afetada no Brasil e persiste sem tratamento adequado. Sob essa ótica, deve-se reconhecer que as posturas civis e governamentais contribuem para a problemática.

É axiomático que, assim como destacou Rousseau, o ser humano é influenciado pelo meio no qual está inserido. À vista disso, o tradicional estigma social brasileiro – favorecido pela segunda fase do Romantismo – de subversão do real significado da depressão e do suicídio, contribui para a persistência da desvalorização dessa temática. Assim, defronte da pressão social que requer a perfeição dos indivíduos modernos em detrimento da repressão dos sentimentos e reflexões pessoais, tem-se a desordem mental como uma consequência recorrente. Nesse contexto, ainda, a população juvenil, por estar em processo de construção individual, é amplamente afetada e requer, portanto, atenção prioritária da sociedade civil.

Em paralelo, as opções disponíveis de tratamento não são capazes de atender plenamente a demanda hodierna. É indubitável que os processos de desinstitucionalização dos antigos manicômios e de criação dos serviços de acompanhamento psicológico e social dos pacientes, realizado na década de 1980, possibilitaram um efetivo avanço na terapêutica das doenças mentais. No entanto, embora o Brasil contenha, desde 2013, de acordo com o Ministério da Saúde, mais de duas mil unidades do Centro de Apoio Psicossocial (CAPS), a distribuição dessas instituições não é uniforme no território nacional. Nessa conjuntura, tem-se como efeito a persistente dificuldade de tratar a população que é atingida pelo fenômeno da depressão. Destarte, transformações são requeridas nos âmbitos social e estatal com o fito de minorar os casos de depressão entre, principalmente, os brasileiros de menor idade. Posto isso, organizações não governamentais devem desenvolver campanhas – a serem divulgadas na internet e na televisão – que auxiliem no reconhecimento dos sintomas depressivos e no direcionamento adequado para os locais que oferecem auxílio e tratamento. Ademais, o Ministério da Saúde deve mapear, em conjunto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as zonas que urgem por maior contingente de unidades do CAPS e executar a criação dessas, além de dispor mais profissionais capacitados para o acompanhamento psicossocial, com o intuito de reduzir a taxa de jovens sem diagnóstico e tratamento necessário. Por meio dessas medidas, gradativamente, a qualidade de viva da população juvenil pode ser maximizada no país.