O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/10/2017

O criador da psicanálise, Sigmund Freud, apresentou em sua obra de 1917, “Luto e Melancolia”, que a melancolia, diferentemente do luto, tem um sentimento ruim com relação ao próprio eu e está atrelada a baixa autoestima, a autodepreciação. Já que, naquela época, a melancolia era o nome dado à depressão, esses conceitos se aplicam, no século XXI, ao significativo aumento dessa doença nos jovens brasileiros. Dessa forma, deve-se analisar o quanto esse infeliz crescimento está correlacionado com as principais causas de depressão entre adolescentes; o bullying e a pressão social.

Nesse contexto, é fato que, apesar de todas as campanhas e ações contra o bullying nas escolas brasileiras, esse mal está longe de ser erradicado. Consequentemente, a depressão surge, muitas vezes, como sintoma grave, da vida escolar frustrada a qual muitas crianças e adolescentes estão submetidos nos centros de ensino e, em último estágio, até mesmo o suicídio. Além disso, segundo Freud, em sua obra supracitada, afirmou: “Alguns traços da melancolia são o desinteresse pelo mundo externo e a perda da capacidade de amar”. Em vista disso, relacionando essa frase ao contexto atual, vê-se que o bullying, como grande causador da depressão nos jovens, pode originar esses sintomas horríveis que, se não tratados, irão comprometer a vida desses adolescentes futuramente.

Outrossim, a constante pressão social, a qual muitos jovens estudantes estão expostos, acaba sendo mais um grande fator motivador do “mal do século XXI” (expressão atribuída pela Organização Mundial da Saúde à depressão). Pressões essas como: o dever de um jovem saber em que trabalhará pelo resto da vida; a necessidade de, na maioria das vezes, agir como um pleno adulto na hora das decisões ou então, aos padrões sociais de beleza inatingíveis, mas que são almejados por muitos adolescentes. Dessa maneira, ainda de acordo com a psicanálise freudiana, aplicada atualmente, esses fatores podem gerar uma sensação de incapacidade moral que se não tratada, só tende a piorar.

Fica evidente, portanto, que o aumento da depressão entre os jovens, no Brasil atual, é fruto do bullying nas escolas, e das diversas pressões sociais as quais estão submetidos. Logo, o Ministério da Educação, juntamente com as escolas, além da manutenção e intensificação das campanhas contra o bullying, devem contratar um psicólogo para ficar à disposição dos alunos, a fim de dar auxílio profissional e prevenir a depressão. Ademais, cabe às mídias televisivas a elaboração de campanhas contra estereótipos de beleza e a abordagem do tema em novelas de alcance ao público jovem. Também é importante salientar o papel da família no diálogo com os adolescentes, com efetiva participação na rotina escolar para possível detecção da doença. Assim, com esses passos, Sigmund Freud, se vivo estivesse, ficaria impressionado com o progresso do Brasil no combate à “melancolia”.