O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 21/10/2017
Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig que se autoexilou no Brasil em consequência da ascensão do regime nazista e de sua política antissemita, impressionado com o potencial do País escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa a deficiência das medidas na luta contra a depressão juvenil no Brasil, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse sentido, é preciso entender suas verdadeiras causas para solucionar esse problema.
Nesse contexto, é importante salientar que, segundo Sócrates, os erros são consequência da ignorância humana. Logo, é válido analisar que o desconhecimento acerca da vida dos jovens influi decisivamente sob a pressão social e a falta de perspectiva do futuro vivida, influenciam no aumento da depressão entre os jovens. A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a questões políticas-estruturais. Tal conjuntura se deve ao fato de que, a partir da realidade do país e da pressão que o jovem se opõem a si mesmo, torna o combate a depressão minimizado e subaproveitado, já que não há interferência social para mudar tal situação.
Além disso, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores socioculturais. Durante a formação do Estado brasileiro, divisão social se fez presente em parte significativa do processo; e com ela vieram as discriminações e intolerâncias culturais, derivadas de ideologias como superioridade do homem branco e darwinismo social. Lamentavelmente, tal perspectiva é vista até hoje no território brasileiro. Bom exemplo disso são os índices que indicam os jovens como os mais afetados. Dentro dessa lógica, nota-se que a dificuldade de prevenção e combate a depressão mostra-se fruto de heranças coloniais discriminatórias, as quais negligenciam tal problema, como caso de saúde.
Convém, portanto, que os caminhos para a luta contra a depressão juvenil no Brasil apresentam entraves que necessitam ser revertidos. Logo, é necessário que o governo veja esta situação como problemática na área de saúde, desenvolvendo assim, abertura de canais e de postos clínicos especializados para este atendimento. Além disso, é preciso que o poder público busque ser mais imparcial (socialmente) possível, a partir de políticas pública juvenis, e levar este assunto a ser debatido na esfera política e disseminado para a população. Ademais, as instituições de ensino, em parceria com a mídia e ONGs, podem fomentar o pensamento crítico por intermédio de pesquisas, projetos, trabalhos, debates e campanhas publicitárias esclarecedoras. Assim, a sociedade brasileira poderá garantir o prognóstico de Zweig e que suas citações evidenciem para a sociedade esperança de tempos áureos para o País.