O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 21/10/2017

A depressão é caracterizada pelo desinteresse em realizar tarefas outrora consideradas prazerosas, como o convívio em família, a vontade de aprender ou sair com os amigos. Se sofrer é inerente ao viver, como propõe a filosofia de Schopenhauer, esse sofrimento tem se intensificado e tomado vertentes não naturais, destacadamente entre os jovens brasileiros, em função das inúmeras pressões criadas pelo mundo globalizado e pela falta de preparo das escolas à lidarem com tal problema.

De início, observa-se que as constantes transformações da sociedade moderna causam nos jovens sentimentos de incerteza e angústia, preocupações que, se não forem amenizadas, tendem a piorar os casos de distúrbios psicológicos. Isso ocorre porque os jovens, desde muito cedo, são expostos a constantes expectativas de todos os lados. Anteriormente à internet, a “pressão” de: fazer faculdade, arrumar um bom emprego, construir uma família, por exemplo, era feita basicamente pelos pais, mas hoje, o ambiente digital, além de influenciar, também pressiona determinadas ações do indivíduo e o jovem, quando não cumpre essas expectativas, tende a acumular perda de autoestima e sentimento de inferioridade, principais fatores para o desencadeamento da depressão.

É pertinente apontar, também, que as instituições que deveriam amparar os adolescentes nesse problema, como as escolas, não recebem preparo adequado para isso, atenuando ainda mais o transtorno. O filósofo Emmanuel Kant, preponderou em seus escritos “O indivíduo é aquilo que a educação faz dele”, a vista disso, colégios, principalmente públicos, onde não existe a obrigatoriedade de manter psicólogos no local, abrem a possibilidade para que jovens, mesmo apresentando sintomas melancólicos ou agressivos, não sejam notados, transformando-os em sujeitos ainda mais “fechados” e sem habilidade de se expressar, causando, inclusive, episódios extremos, como os inúmeros casos de chacinas escolares nos EUA e recentemente também no Brasil, como os casos de Realengo, em 2011, e o de Goiânia, em 2017, ambos crimes cometidos por alunos que possuíam transtornos depressivos.       Torna-se evidente, portanto, que a desarmonia entre as influencias, as indicações de estado depressivo no jovem e aqueles que poderiam notá-la, precisa ser realinhada. Nesse sentido, o MEC deve propor o acesso de estudantes a psicólogos nas escolas, destinando recursos para tal ação e estabelecendo a obrigatoriedade de que cada instituição tenha esse profissional. Essa iniciativa teria a finalidade de orientar e acalmar os jovens com relação as pressões do mundo contemporâneo e minimizar as possibilidades de tragédias voltarem a acontecer. Inclusive, a atuação do MEC é importante porque essa entidade tem a função de estabelecer políticas educacionais e garantir o pleno acesso à educação de qualidade e evitar que se configure, no Brasil, o sofrimento não natural da vida.