O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 21/10/2017

Na primeira metade do século XX, Carlos Drummond de Andrade apresentava a sua primeira fase poética, conhecida como “gauche” e caracterizada por temas como a reflexão social, descontentamento com o mundo e isolamento social. Mais de 50 anos passaram e sua poesia mostra-se corrente devido, principalmente, ao aumento da depressão que atinge, em sua maioria, pessoas jovens. Embora date o século passado, a problemática é persistente na sociedade brasileira em função da isenção coletiva em negar o assunto, além do desinteresse público, contribuindo para a cristalização do problema.

É primordial elencar, inicialmente, que a padronização e robotização, impostas pela sociedade moderna, impulsionaram a manutenção do assunto. Hodiernamente, criou-se uma ditadura da felicidade em que sentimentos humanos elementares, como a angústia e a tristeza são repelidos, sendo, inclusive, passíveis de medicalização. A ideia de tratar as emoções humanas com medicamentos reflete o desinteresse da sociedade mecânica em discutir e abordar as causas da depressão, contribuindo para o silenciamento do assunto. Outrossim, a visão compartilhada de que a depressão é motivo de vergonha e condenação, fatores que banalizaram o assunto, comprova a ausência de laços e redes capazes de proporcionar acolhimento ao sujeito e sua tristeza.

As opressões sociais, como o bullying, a ansiedade e o suicídio, demonstram que a doença não deve ser tratada de forma individual. Entretanto, a carência de psicólogos e psiquiatras em várias estruturas do sistema público, aliado à ignorância social para lidar com o impasse, evidencia o desinteresse generalizado em tratar a depressão como um problema de saúde. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 5,8% da população brasileira sofre com esse problema, abrangendo jovens e  entre 12 a 20 anos. À vista disso, é notório a inércia em atribuir a importância que circunda a questão.

Torna-se evidente, portanto, que a depressão, resultada de fatores sociais desarmônicos, ainda é velada no cotidiano. Nesse sentido, para que seja discutida, o Ministério da Saúde, em ação conjunta com os estados e as prefeituras, deve disponibilizar profissionais da área da saúde mental para atendimento público, capazes de orientar a qualidade emocional da população. Desse modo, assuntos antes ocultos poderão ser discutidos e tratados de forma responsável. Ademais, cabe as instituições de educação uma maior conscientização e problematização do assunto, tratando de formas responsáveis por meio de workshop e palestras, visando a prevenção da doença.