O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/10/2017

Mal do século

O pessimismo, o sentimento de inadequação a  realidade e o desejo de morte muito presente nos autores da segunda geração do Romantismo, os Ultrarromânticos, evidenciava o estado de espírito daqueles jovens. Nos dias atuais, parcela cada vez mais significativa de crianças e adolescentes vêm passando por uma realidade similar, por motivos diferentes: a depressão. Dessa forma, cabe discutir como o nível de exigência da vida atual e a falta de conhecimento colaboram para manutenção da doença.

Em um primeiro plano, é notório que há uma carga de exigência muito intensa sobre os jovens. Em sua maioria possuem uma agenda sempre cheia, com aulas extras e atividades complementares, como natação e ballet. Também, a sociedade moderna, por meio das mídias, impõe padrões de “normalidade” muito exigente. O corpo perfeito, ter vários amigos e sempre circular nos meios digitais, ilustram a demanda exigida da juventude.

Somado ao peso imposto pela sociedade, muitos pais e familiares desconhecem os sintomas da depressão. Dessa forma, muitos casos dessa patologia são rotulados de “frescura”, inviabilizando o diagnóstico e tratamento adequados. O aforismo grego “conhece-te a ti mesmo” fica distante de ser apreciado no circulo de convivência das crianças e adolescentes que manifestam quadro depressivo, sendo estranhos até para si mesmos.

Fica claro, portanto, que o desconhecimento e a pressão da vida cotidiana atual tem impactado no aumento dos casos de depressão entre jovens. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve, por meio de parcerias com as Unidade Básicas de Saúde e a mídia - televisiva, impressa e radiofônica -, realizar ações de divulgação sobre como identificar novos  casos de depressão, bem como ampliar as ações do Setembro Amarelo. Objetivando o tratamento precoce para que se consiga reduzir o número de casos, abrandando esse mal do século.