O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2017

No livro “O Demônio do Meio-Dia”, o escritor Andrew Solomon retrata o depoimento de vítimas acometidas da depressão e a opinião de profissionais da área, além de investigar essa patologia a partir de sua própria experiência que, de acordo com o autor, “o oposto da depressão não é a felicidade, mas a vitalidade.” Isto posto, o Brasil, segundo estudos, é o terceiro país mais deprimido do mundo, cuja taxa vem preocupando especialistas pelas suas consequências alarmantes..

É importante pontuar, de início, que, segundo Newton, toda ação corresponde uma reação. Desse modo, a depressão, além de afetar as relações familiares e as amizades, compromete o desempenho do indivíduo nos estudos e no trabalho, além de possíveis ataques de pânico, dificuldade de concentração, sentimento de culpa, baixa autoestima e, até mesmo, suicídio. Ademais, o discurso de que o sucesso profissional, o “corpo perfeito”, o casamento e a riqueza são sinônimos de felicidade acaba sendo uma armadilha, aumentando os índices dessa mazela.

Contudo, esse problema está longe de ser solucionado. Apesar dos fatores biológicos também serem responsáveis pela depressão, outros motivos além dos bioquímicos são fundamentais para desenvolvimento do distúrbio, como a ausência da proximidade entre os pais e os filhos e a falta de diálogo entre eles. Logo, os jovens se sentem sozinhos, sem encontrar na família o suporte necessário pois, muitas vezes, os pais não acreditam que os seus filhos estejam com depressão, insistindo que é somente uma tristeza passageira. Em adição, as escolas pecam em proporcionar ajuda aos alunos que sofrem com esse mal, além do governo falhar em não apoiar pesquisas em medicações mais eficazes para aliviar os sintomas da depressão, cujo tratamento poderia ser alcançado.

Para que se atenue esse cenário alarmante, portanto, cabe uma atuação efetivamente conjunta entre a família e a escola para que a primeira esteja sempre presente na vida dos jovens, apoiando-os e encorajando-os a conversar sobre qualquer assunto, e a segunda, em parceria com o Ministério da Educação, possa possibilitar aos alunos ajuda necessária, através de psicoterapeutas e psiquiatras, a fim de garantir auxílio na recuperação e na prevenção dessa doença. Outrossim, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão deve investir em novas descobertas para o tratamento da depressão, aumentando as verbas em pesquisas nas universidades públicas, beneficiando essas faculdades e possibilitando um possível tratamento. Afinal, como já afirmado por Milton Santos, “não se deve propor uma sociedade perfeita, e sim melhor.”