O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 20/10/2017

Durante o medievo, a chamada peste negra assolou a Europa e dizimou um terço da sua população. Atualmente, a epidemia que preocupa o mundo é a depressão, com atenção ao incremento no número de acometidos entre as gerações mais novas. Nesse cenário, o aumento do número de casos de depressão entre jovens no Brasil está relacionado à conjuntura social e a práticas vexatórias.

Nesse contexto, as novas dinâmicas interpessoais contribuem para esse acréscimo. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, o individualismo é a principal característica - e problema - do mundo pós-moderno. Sob esse prisma, as relações sociais não mais são sólidas como outrora. Dessa forma, a instabilidade, seja no emprego, seja nas relações afetivas ou interindividuais corrobora para que laços frágeis sejam estabelecidos entre a comunidade juvenil. Como efeito, as intempéries que a atingem desestabilizam-na facilmente, pois há pouco ou nenhum apoio.

Não obstante isso, a violência afasta os indivíduos de uma unidade comum. Para ilustrar, a série americana “Os treze porquês” mostra como o bullying cria um mal estar capaz de desajustar a homeostase psíquica da vítima. Nesse sentido, essa rejeição suscita um distanciamento entre o grupo e o indivíduo, que afeta a essência esse, haja vista que, segundo Aristóteles, o homem é um ser social. Nessa linha, desassociá-lo dos demais propicia consequências negativas à saúde, como a depressão e o suicídio, tal qual salientado no seriado.

Portanto, é imperioso que medidas multifatoriais sejam implementadas. Em primeiro plano, é preciso que o governo acrescente Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em regiões urbanas e periféricas. Neles, deve-se desenvolver, junto a psicólogos e psiquiatras, grupos de apoio, além do tratamento medicamentoso, a fim de que o paciente sinta-se bem acolhido e inserido em uma coletividade. Além disso, psicopedagogos devem atuar nas escolas mediante rodas de conversa coletiva, inclusive atendimento individual, para que crianças e adolescentes possuam orientação adequada em eventuais dificuldades. Por fim, essas instituições precisam eliminar a práxis do bullying e gerar um ambiente receptivo para os alunos, via fiscalização em seu espaço e repressão de quaisquer manifestações violentas.