O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2017

Para o sociólogo Zygmunt Bauman, houve no século XIX a passagem da modernidade sólida para a líquida, fato que resultou em relações sociais frágeis. A sociedade tornou-se, então, individualista e egocêntrica, o que, consequentemente, contribuiu para o aumento nos casos de depressão, a qual trata-se de uma doença crônica. Dessa forma, cabe às autoridades públicas e a sociedade civil o combate a esse problema em questão no Brasil.

Émille Durkheim em seu livro “O suicídio” discorre a importância da solidariedade e a coletividade no meio social para a manutenção da saúde mental. Nesse âmbito, a fluidez nas relações faz com que o indivíduos não adquiram o sentimento de pertencimento, o que os torna vulneráveis. Aliado a isso, age sobre estes a força coercitiva - também defendida por Durkheim - a qual por meio da consciência coletiva ou da lei, induz os seres a agirem e se relacionarem de certa modo, excluindo todos aqueles que não se adequam. O rigoroso padrão de beleza da contemporaneidade ilustra essa força, podendo ser considerado um dos motivos da depressão.

Assim, diante da cobrança externa e a falta de apoio familiar e social, é notório a ampliação de casos depressivos. Nesse contexto, os indivíduos encontram-se sem perspectiva de vida, adquirindo bipolaridade, o que resulta em fases de irritação, tristeza e atordoamento, em contraste com euforia e agitação psicomotora. Segundo pesquisas, cerca de 17 mil brasileiros, acima de 18 anos, já tiveram pelo menos um episódio de depressão. Essas crises, quando não tratadas por profissionais, ocasionam no suicídio.

Evidencia-se, portanto, a realização da mobilização social para a redução dos casos. Com esse objetivo, o Ministério da Saúde e os Governos Municipais devem promover debates e palestras que ampliem o conhecimento da população sobre a depressão, incentivando o respeito às diferenças, e divulgá-las por meio da mídia e na forma de cartilhas. Ademais, as Instituições de Ensino e a família precisam fortalecer os laços sociais das crianças e adolescentes, assim, professores, psicólogos e pais devem estimular o convívio “saudável” entre aqueles, seja através de atividades culturais ou esportivas, em casa e nas escolas. Desse modo, a depressão poderá ser minimizada no Brasil.