O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/10/2017

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, artigo 25, defende que toda pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e a sua família a saúde. Entretanto, o aumento do índice de depressão no Brasil e o grande número de casos de suicídios, estão atrelados a uma problemática de ordem social. Com efeito, um diálogo entre sociedade e Estado sobre os caminhos para combater esse quadro é medida que se impõe.

Em primeiro plano, é necessário que a população se informe e não reproduza os ideias da geração ultrarromântica do século XIX, que romantizava a depressão e o suicídio, como é representado em obras de Álvares de Azevedo. Mas, nos últimos anos, essa doença tem crescido entre os jovens brasileiros, o que pode ser explicado, em parte, pela pressão pessoal e social vivida por eles na contemporaneidade, assim como pelo desconhecimento da doença. Pois, por se tratarem de doença comuns e  invisíveis aos olhos -como fraturas-, tornam-se negligenciadas pela população e pelo poder público.

De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman entende, que as características da pós modernidade induzem indivíduos a estados de estresse e ansiedade. Já que, além da pressão social exercida, outro fator que contribui para esse aumento é o desconhecimento por parte da população em relação a doença. Isto porque a falta de entendimento dos mecanismos biológicos e sociais que desencadeiam a depressão e seus sintomas, fazem com que o estigma do depressivo como uma pessoa fraca, dramática e infeliz permaneça, passando a ideia de que ele escolheu ficar assim e, portanto, só depende de ele sair desse quadro. Com isso, é preciso que esse tabu seja desconstruído, para que assim possam mitigar casos dessa triste realidade.

É evidente, portanto, que medidas sejam tomadas com o propósito de amenizar esta problemática. O Ministério da Saúde deve fornecer tratamentos psicológicos inserindo um maior número de profissionais dessa área no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da redistribuição das verbas da saúde, a fim de resolver a depressão como uma patologia. Paralelamente à isso, as ONGs e Instituições Religiosas podem oferecer auxílio psicológico e espiritual a esses jovens, por meio de eventos de ampla divulgação midiática, com o fito de dar base existencial e mostrar novas possibilidades a eles. Para assim, alcançar  o menor índices de casos como esse, e garantindo, de fato, o direito a saúde e bem estar social, como prevê a Declaração dos Direitos Humanos.