O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 19/10/2017
Na literatura romântica do século XIX, a segunda geração apresentou um caráter melancólico e deprimido, a qual os poetas encontraram na morte uma forma de escapismo. É incontrovertível que, na contemporaneidade, esse sentimento tem se intensificado, levando em consideração os avanços científicos que revolucionaram as sociedades e influenciaram nas relações interpessoais, principalmente entre os jovens. Nesse contexto, deve-se analisar como a pressão individual e a ausência de uma interação familiar forte influenciam no aumento da depressão e como combatê-la.
Primeiramente, é fundamental destacar que a pressão pessoal tem intensificado o desenvolvimento de jovens depressivos. Isso se deve ao fato de que, na pós-modernidade, as relações, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, se tornaram mais inconstantes e com maior rapidez. Consequentemente, as pessoas que desejam realizar objetivos individuais, como passar no vestibular e conseguir um emprego, esperam que tal realização seja alcançada fácil e rapidamente. Entretanto, quando tal meta não é atingida, começa a crescer no indivíduo o sentimento de impotência e desvalorização, sendo o começo para um quadro clínico de depressão. Como resultado, quem apresenta essa doença tem encontrado no suicídio, como os poetas românticos valorizaram, uma forma de escapar dessa realidade que não condiz com suas aspirações.
Outrossim, é necessário entender, ainda, que a fraca relação entre pais e filhos causa a manutenção desse problema. Isso ocorre porque, associando-se o ideário marxiano da economia como determinante da sociedade, as pessoas estão trabalhando mais e, na maioria das vezes, o tempo livre para passar com a família é muito pouco. Dessa forma, a interação familiar fica fragilizada, uma vez que o jovem não conversa abertamente com seus pais e estes não tem consciência plena do que está acontecendo na vida do filho. Por consequência disso, os jovens, que possuem maior contato com as novas tecnologias, encontram na rede virtual a forma de fugir do real e, muitas vezes, conhecem pessoas de má índole que se aproveitam da sua vulnerabilidade.
Torna-se evidente, portanto, que a pressão individual e as relações familiares são fortes agentes na manutenção da depressão. Em razão disso, segundo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Assim, o Ministério da Educação deve, atrelado a escolas e universidades, promover palestras sobre o mundo moderno e as mudanças que vem ocorrendo na sociedade, comentando os pontos positivos e negativos de todo esse desenvolvimento contemporâneo. Ademais, a Receita Federal deve cobrar menos impostos de empresas que adotarem carga horária de trabalho mais flexível, aumentando o tempo dos pais e, assim, gerar maior interação familiar.