O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 19/10/2017
A depressão ou distúrbio afetivo é uma doença crônica caracterizada por quadros de extrema tristeza, irritação e desinteresse em atividades cotidianas. Pode ser “herdada” devido a histórico familiar ou apresentar-se independentemente; sua causa não é determinada por um único acontecimento, mas sim por um conjunto de “fatores-gatilho”. Hodiernamente, a faixa etária mais acometida por tal doença é a juventude, e esse fato se dá em consequência da enorme pressão social a qual estão sujeitos.
Consoante ao conceito de Modernidade Líquida do sociólogo Bauman, as relações sociais estão cada vez mais rápidas e efêmeras no mundo globalizado, dessa forma o jovem brasileiro do séc. XXI vive sob constantes cobranças, sejam elas familiares, escolares ou no trabalho, entretanto não são ensinados a lidar com as frustrações. A geração Z é imediatista e diariamente é bombardeada com modelos de vida perfeitas nas redes sociais, gerando uma pressão para alcançar tal padrão estabelecido no menor espaço de tempo, assim, vivendo perante um alto nível de stress e ansiedade, o que também pode colaborar para desenvolver um quadro depressivo.
Casamento, filhos, bom salário, roupas e carros da moda. De acordo com o psiquiatra Carl Jung: “Todos nós nascemos originais e morremos cópias.”, tal frase aplica-se na contemporaneidade, uma vez que há uma corrida velada e incessante para atingir um padrão e para mostrar nas mídias sociais a “melhor vida”, e quando não se consegue alcançar os objetivos, inclusive pois muitos deles requerem tempo e paciência, algo que os jovens não dispõem, surge o sentimento de infelicidade e decepção.
Cerca de 18% dos brasileiros possuem depressão e alta taxa ´pode ser relacionada com o desconhecimento da população sobre a doença, muitas vezes denominando a pessoa depressiva de dramática ou fraca. Logo, é preciso que a escola e a família ensinem desde cedo a como lidar com problemas e a ter paciência, exercitando, assim, o conceito de resiliência. Ademais, o Estado deve promover campanhas de conscientização sobre a doença e ofertar tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Cabendo à mídia - televisão, jornal, internet e rádio - abrir espaço para psicólogos e psiquiatras debaterem sobre o distúrbio afetivo, dessa forma, levando informação a todos.