O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 19/10/2017

Aristóteles, sobre a felicidade, concluiu que alcançá-la seria possível através do equilíbrio entre o excesso e a falta. Infere-se, portanto, que o ser que busca equilibrar-se apenas pelo lado da fartura acaba relegando estratégias para encarar os sofrimentos inerentes à vida humana. Analogamente, há, na contemporaneidade, uma forte tendência dos jovens ao “querer mais”, que gera uma sensação de obsolescência no indivíduo. Tal sentimento pode servir como ignição de enfermidades emocionais e, nesse contexto, nota-se que a ocorrência da depressão tem aumentado na massa dos imberbes brasileiros. Logo, tanto a popularização de meios para fuga da realidade como a falta de fomento à inteligência emocional na infância são alguns dos fatores para a solidificação de tal problemática.

Acerca da realidade, é evidente que a juventude está, cada vez mais, buscando meios de não ter que encará-la como tal. Nesse contexto, entretenimento, alimentação e até entorpecentes servem como meios de sentir-se estasiado. Dessa maneira, o choque de realidade entre o universo ficcional e real  leva, muitas vezes, ao desequilibro dos hábitos alimentares dos adolescentes que ,constantemente, buscam pelas drogas a fim de sentirem-se fora da realidade. Logo, com a progressão do uso dessa alternativa maléfica, o imberbe pode desenvolver a depressão e em casos mais extremos se suicidar. Há, dessa forma, uma ligação entre influências externas ao indivíduo e o aumento da probabilidade de desenvolver alguma patologia neurofisiológica que é catalisada pela exposição intensa aos meios de fuga do real.

Outrossim, é evidente que a falta de métodos que incentivem à inteligência emocional na infância podem gerar uma fraqueza sentimental e uma consequente susceptibilidade à depressão. Infere-se, portanto, que o jovem é criado sem passar por punições  e , consequentemente, não tem seu senso de causa e consequência estimulado, logo,  atribui aos sofrimentos inerentes à vida do ser humano - não ser aprovado no vestibular, morte de um parente e semelhantes - um caráter de exagero, que se não for auxiliado por profissionais da área psicológica, costuma gerar ansiedade e até depressão.

Em síntese, há uma intensa ligação entre desequilíbrio emocional e negligências na crianção infanto-juvenil que leva à depressão. Dessa maneira, o Ministério da Educação (MEC) deve estabelecer debates na escolas que levem os jovens a refletirem sobre a necessidade de ter consciência apurada da realidade. O poder midiático, por sua vez, compete aglutinar à sua programação novelas - com grandes audiências - que abordem o tema da depressão como falta de inteligência emocional, para que seja gerado uma discussão nas casas sobre a temática. Dessa forma, a depressão seria amenizada entre os jovens brasileiros e o equilíbrio de Aristóteles causaria felicidade de forma límpida à população.