O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 19/10/2017
A segunda geração do movimento Romântico brasileiro - ultra-romantismo -, teve sua obra literária marcada pelo exagero do pessimismo, desapontamento com a vida e a crescente proximidade com a morte, o que a caracterizou como a representação do ‘mal do século’. Atualmente, tais sentimentos permeiam a vida de um grande contingente populacional no país afetando, principalmente, crianças e adolescente, já vulneráveis e susceptíveis às pressões exercidas pela vida adulta. Desse modo, a depressão tem seus índices aumentados entre jovens devido à causas sociais e culturais.
Ao analisar, em primeira instância, os mudanças físicas e hormonais decorrentes da puberdade, nota-se a difícil transformação vivida durante a passagem da infância para a vida adulta. Por conseguinte, a falta de compreensão sobre o próprio corpo aliada às crescentes pressões sociais, acadêmicas e futuramente profissionais, alimentadas e exacerbadas pela falsa noção de perfeição e felicidade propagada nas mídias sociais, acarreta o comprometimento emocional desses jovens, levando-os a desenvolver comportamentos depressivos como isolamento e baixa auto-estima e, em alguns casos, chegando ao suicídio. Nesse sentido, segundo a OMS, cerca de 11,5 milhões de jovens e adultos sofrem hoje no Brasil com depressão, o que se revela como um importante problema de saúde pública.
Ademais, segundo o filósofo britânico John Mill, ‘sobre o seu corpo e mente, o indivíduo é soberano’.Dessa maneira, contrapondo-se a citação de Mill, a depressão retira dos cidadãos sua autonomia e confiança, dificulta suas relações interpessoais, o que impacta diretamente no rendimento acadêmico e profissional e se expressa, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, em cerca de 25% do número de pedidos de licença em 2016 no país.Assim, ao não contar, em alguns casos, com o apoio familiar e profissional adequados, os depressivos se inserem num ciclo de abusos, seja por uso de drogas ou por prática de comportamentos abusivos ,tais como auto-mutilação, levando-os a progressiva perda da qualidade de vida. Isso colabora para a, ainda, grande estigmatização da doença, o que dificulta seu diagnóstico e posterior tratamento adequados.
Nesta perspectiva, portanto, o aumento no índice de jovens com depressão no Brasil possui causas sociais e culturais. Logo, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Saúde em parceria com Conselhos Regionais de Medicina e Psicologia desenvolverem campanhas pública para, através da educação emocional e integração familiar, em unidades de atendimento à saúde básica, proverem informações adequadas aos cidadãos sobre sinais e possíveis causas para o desenvolvimento da depressão. Dessa forma, ao alertar e capacitar as pessoas sobre a gravidade e extensão da problemática será possível, então, minimizar o fortalecimento e ampliação do mal de um novo século.