O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 19/10/2017

Intitulada pelo político britânico Winston Churchil como “a doença do cachorro negro”, a depressão é um fenômeno que tem feito um alarmante número de vítimas na contemporaneidade.O Brasil, dentro desse contexto, revela as consequências de uma abordagem tardia no assunto, as quais, alicerçadas em estruturas equivocadas de convívio social, permitem o avanço preocupante de pessoas afetadas. Dessa forma, faz-se necessária uma análise desse entrave para que seja possível a sua minimização no cenário nacional.

Em primeiro lugar, é valido observar que, devido à histórica falta de atenção voltada para a depressão, hoje, o suporte dado aos doentes é insipiente. Nessa perspectiva, apesar dos esforços, ainda engatinhantes, no sentido de reduzir a incidência ou as fatalidades provocadas pela enfermidade - o que pode ser ilustrado pela maior discussão em novelas e pelas campanhas indiretas no famoso “setembro amarelo” - verifica-se um fraco apoio na rede pública de saúde. Isso acaba dificultando o acesso a diagnósticos e tratamentos e criando um estigma acerca da validade de se levar a sério a doença e o afetado por ela.

De forma paralela, nota-se como um intensificador do aparecimento da doença a adesão excessiva dos jovens à vida virtual em detrimento da real. Nesse sentido, a criação  do esteriótipo de perfeição do corpo e do status social e econômico acaba imprimindo no indivíduo uma pressão para a satisfação desses padrões. Assim, quando isso não ocorre, a sensação de falha, frustração e, até mesmo, a auto-humilhação se instalam na pessoa, o que, inevitavelmente, gera o campo ideal para o surgimento de mais casos depressivos. Isso é, claramente, preocupante, haja vista que, como abordado pela OMS, esse tipo de comportamento é um dos grandes potencializadores do suicídio no mundo.

Fica clara, portanto, a urgência em combater o aumento da manifestação de depressão no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde deve, junto às secretarias de mesmo setor, criar postos de atendimento psicológico e psiquiátrico nas unidades públicas de saúde e veicular propagandas, via TV e rádio, que estimulem os cidadãos a investigarem e tratarem medicamente possíveis casos da doença. Ademais, as instituições de ensino, principalmente dos níveis fundamental e médio, devem abrir espaço para o diálogo e a instrução acerca da doença, de seus sintomas, e de formas de cuidar e assistir os afetados por ela. Nesse caminho, o “cachorro negro” dificilmente terá lugar na sociedade brasileira e essa problemática poderá, enfim, ser minimizada.