O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 19/10/2017
Após ser criada a constituição da Psiquiatria no século XVII, enquanto campo médico, muitas foram as descobertas de doenças mentais, entre elas a depressão que vem crescendo entre os jovens brasileiros de maneira alarmante. Sendo assim, o escritor Carlos Drummond de Andrade, que na primeira metade do século XX, nos apresentava a sua primeira fase poética, conhecida como “gauche” e caracterizada por temas como reflexão existencial, descontentamento com o mundo e isolamento social. Mais de 50 anos depois, sua poesia se mostra mais atual do que nunca, devido, principalmente, ao crescimento de uma doença que atinge, em sua maioria, pessoas jovens. Sendo considerado o “mal do século”.
É relevante abordar, primeiramente, que de acordo com os dados do 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foram encontrados sintomas indicativos de depressão em 21% dos jovens entre 14 e 25 anos. Entre as mulheres o número aumenta para 28%. Ainda se considerarmos dados mundiais, a OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que 350 milhões já sofreram ou sofrem com a doença. Diante disso, há vários fatores que corroboram com o crescimento do número de portadores desse mal do século: a ignorância da população em relação à doença. Tal perspectiva ocorre porque o poder público disponibiliza pouca informação sobre a patologia, fazendo com que as pessoas não deem o devido valor e importância para a depressão. Com isso, cada vez menos pessoas se sentem estimuladas a procurarem ajuda médica e cada vez mais a doença cresce de maneira silenciosa na sociedade.
Além disso, a sociedade brasileira contribui para o aumento da depressão entre os jovens, devido a significativa pressão social que exerce sobre eles. Espera que estes sejam capazes de exercer inúmeros papéis sociais de maneira eficiente e, com isso, se sobrecarrega os sujeitos. Demanda-se deles, por exemplo, que sejam bons profissionais, casem, tenham filhos e, ainda, que sejam capazes de resolver problemas das gerações passadas. Frente à tanta expectativa, o jovem brasileiro vive em estado de stress, quadro que também pode ocasionar a depressão.
Portanto, é dever da família ser sempre compreensível, demonstrar confiança, encorajar a prática de atividades de lazer ou esportivas e a vida social. Devem conversar para que fortaleçam, mostrando ao jovem que ele está amparado e que sua doença tem cura. Para tanto, a mídia – televisão, jornal, internet, rádio – deve abrir espaço para os psiquiatras e psicólogos discutirem os mecanismos e sintomas da doença, a fim de esclarecer os jovens e a população de modo geral. Além disso, devem ser criados centros especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da doença.