O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/10/2017

A elevação dos índices de doenças psíquicas entre jovens brasileiros tem causado discussões sobre os padrões sociais impostos a esse público, como o fato de serem pressionados a obter um futuro promissor o quanto antes. Dessa forma, segundo Flávio Augusto da Silva, escritor do livro “Geração de Valor”, a ansiedade provém da insegurança com o amanhã, produzindo forte pressão no hoje. Nesse âmbito, pode-se analisar que esse problema tem como principal consequência, o suicídio na juventude.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a internet aliada ao modelo de vida vigente, possui um papel protagonista no aumento da depressão entre os jovens. Isso ocorre, uma vez que a imposição de certos padrões inatingíveis nas redes sociais, gera baixa autoestima, ansiedade e exclusão. Aliás, grande parte desses indivíduos convive com o bullying e a ditadura da beleza que, também são fatores contribuintes para o aparecimento de sintomas da depressão, como a tristeza e a irritabilidade. Assim, essa realidade cabe no termo “modernidade líquida”, criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que serve para explicar que na contemporaneidade o individualismo domina, porque as relações humanas se tornaram inconsistentes.

Ademais, em consequência desses fatores, conforme o Mapa de Violência de 2017, a taxa de suicídios no Brasil na juventude aumentou em 10%. Isso revela que a depressão, leva muitos jovens a se matarem, devido à dificuldade de lidar com as cobranças contemporâneas. Com base nisso, o filósofo Émile Durkheim tratava o suicídio, como um ato individual, mas que, também é resultado do meio social que o cerca. Além disso, essa prática, ainda é tida, no país, como um tabu, de modo que as pessoas deprimidas, que pensam em retirar a própria vida, ficam com receio de falar sobre o assunto. Isso acontece, principalmente, em relação aos familiares, pois acham que discorrer sobre o suicídio, o incentiva. Dessa forma, tais fatos dificultam o combate desse dilema.

Fica evidente, portanto, a necessidade de haver ações para sanar esse problema. Logo, cabe ao Ministério da Educação e Cultura, realizar palestras e debates nas escolas, sobre a depressão entre os jovens e as suas consequências. Isso deve ocorrer, a fim de estimular os estudantes a buscarem ajuda, caso apresente algum sintoma dessa doença. Além disso, o Ministério da Saúde deve contratar mais psicólogos e psiquiatras para a rede pública. Isso tem que ser financiado pelo Tribunal de Contas da União, por meio da redistribuição das verbas da saúde, com a intenção de facilitar o acesso a tratamentos para transtorno mental. Já a família precisa incentivar o diálogo entre os membros, com o intuito de evitar que os jovens se sintam pressionados e ansiosos, de modo a apoiá-los e ajuda-los a enfrentar os dilemas dos dia-a-dia.